28 outubro 2007

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Quem não conseguiu assistir ao filme ESCAFANDRO E A BORBOLETA durante a 8ª Festa do Cinema Francês, pode agora, a um preço superior (5,40 €), disfrutar deste maravilhoso filme nas salas de cinema nacionais.

Estreou na passada 5ª feira, dia 25, este Drama baseado na história real de Jean-Dominique Bauby.

Jean-Dominique Bauby era um jornalista Francês, autor e editor da revista ELLE que 2 anos antes da sua morte sofreu um acidente cardio-vascular que o deixou quase totalmente paralizado embora perfeitamente consciente do seu estado.


O livro que deu origem a este filme, foi "escrito" pelo próprio com a ajuda de um interlocutor que recepcionava letra a letra as palavras que formaram os textos. Bauby apenas conseguia mexer o olho esquerdo e com ele, piscava uma ou duas vezes para exprimir o SIM ou o NÃO. Dois dias após a publicação do livro, em Março de 1997, Bauby morreu, aos 45 anos, com uma paragem cardiaca.

Transcrevo aqui umas passagens do livro que ilustram bem o porquê da escolha deste título:


"Doem-me os calcanhares, sinto a cabeça apertada num torno, e todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro. (...) Não preciso de reflectir durante longo tempo para saber onde me encontro e recordar-me de que a minha vida sofreu uma reviravolta naquela sexta-feira, dia 8 de Dezembro do ano passado. (...) Naquele dia descobri abruptamente essa peça fundamental do nosso computador de bordo, passagem obrigatória entre o cérebro e os terminais nervosos, quando um acidente cardio-vascular me deixou o dito tronco fora do circuito. (...) mergulha-se naquilo que a medicina anglo-saxónica baptizou muito justamente com o nome de locked-in-syndrome: paralisado da cabeça aos pés, o paciente fica encerrado dentro de si próprio, com o espírito intacto e os batimentos da pálpebra esquerda como único meio de comunicação.


(...) Para lutar contra o anquilosamente, desencadeio um movimento reflexo de alongamento que faz mover os braços e as pernas alguns milímetros. Tanto basta, por vezes, para aliviar um membro dorido.
O escafandro torna-se menos opressivo e o espírito pode vagabundear, como uma borboleta. Há tanta coisa a fazer. É possível elevar-me no espaço ou no tempo, partir a voar para a Terra do Fogo ou para a corte do rei Midas. É possível ir visitar a mulher amada, deslizar junto dela e acariciar o seu rosto, ainda adormecido. É possível construir castelos no ar, conquistar o Tosão de Ouro, descobrir a Atlântida, realizar os sonhos de criança e os sonhos de adulto.



(...) Basta de dispersão. É sobretudo necessário que eu componha o início deste diário de viagem imóvel, para estar pronto quando o enviado do meu editor vier recolher este ditado feito letra a letra. Na minha cabeça, mastigo dez vezes cada frase, corto uma palavra, acrescento um adjectivo, e decoro o meu texto, parágrafo a parágrafo."


Caso prefira há sempre a hipotese de comprá-lo noutra língua, os títulos traduzidos são:
  • Le Scaphandre et le Papillon (em Francês)
  • The Diving Bell and the Butterfly (em Inglês)

Critica Internacional:


"O realizador Julian Schnabel e o argumentista Ronald Harwood conseguiram um pequeno milagre com esta adaptação ao grande ecrã da autobiografia de Jean-Dominique Bauby.” – Hollywood Reporter


“Fascinante e ambicioso pela forma como recria a experiência da paralisia no grande ecrã (…)” – Variety


"O realizador capta a metamorfose e a tentação espiritual de Jean-Dominique Bauby que recorda a sua vida assaltado por recordações de uma felicidade perdida, arrependimento e remorsos, e que escrevia: Estaria eu cego e surdo, ou será necessariamente precisa a luz da desgraça para mostrar um homem à sua verdadeira luz?" - La Croix



O Escafandro e a Borboleta foi apresentado no Festival de Cannes de 2007, tendo sido reconhecido com o prémio para Melhor Realizador.

2 comentários:

  1. Terminei a leitura do livro "O Escafandro e a Borboleta" e não recomendo :-(

    Quase que não me sinto com coragem para ver o filme, embora tenham dito que o realizador e o argumentista conseguiram um pequeno milagre.

    Será este filme uma recriação do tema?? Digo-vos, o livro não tem conteúdo suficiente para alimentar um filme de 1h52m...

    Alguém que já tenha visto o filme pode dar-me uma luz???? Por favor.

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  2. Já vi o filme há muito tempo, só que esqueci de comentar por aqui.

    Achei sinceramente um trabalho fantástico. Como foi possivel com tão pouco enredo, conseguir um filme destes... Belissimo trabalho.

    Bom, mas tudo tem o seu valor. No comentários anterior não levei em conta algo importantissimo, o livro tinha mesmo de ser sucinto, não tivesse ele sido escrito nas condições que foi.

    Assim sendo, considero-o algo extremamente especial. Não estava consciente do esforço implicito, nem soube captar a essência da mensagem na sua totalidade.

    Alguém que mesmo locked-in-sindrome veio dizer à humanidade para se consciencializar que a vida é curta e preciosa demais para ser vivida sem responsabilidade.

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