04 novembro 2007

SICKO - Sistema Nacional de Saúde vs Sistema Privado de Saúde



Conhece este senhor de nome Michael Moore? Se não conhece, devia conhecer. Não pelo seu carácter anti-americano ou pelo sensacionalismo com que realiza os seus filmes, mas por dizer com toda a frontalidade o que pensa. Possuidor de um humor bastante ácido consegue fazer-nos reflectir sobre assuntos pertinentes.

Se é uma daquelas pessoas que os acontecimentos dos EUA não lhe interessam, então adapte apenas, a Portugal, estas questões de assistência médica levantadas por Michael Moore no seu último filme: SICKO.

Estreou no passado dia 1 de Novembro. Foi um dos filmes exibidos no doclisboa 2007 porém, agora, é possivel ter nova oportunidade de vê-lo no Nimas e nas Amoreiras em plena Lisboa. É o 3º filme mais lucrativo da história dos documentários, depois de Fahrenheit 9/11, e de A Marcha dos Pinguins.

SICKO expõe o Sistema de Saúde Norte-Americano e mostra-nos os problemas resultantes de não existir um Sistema Nacional de Saúde. Ser Americano impõe ter um seguro de saúde ou pagar do seu bolso as despesas decorrentes de cuidados preventivos, curativos e paliativos.

Aliás, se costuma viajar para os EUA, não esqueça, por favor, de contractar um seguro de cobertura internacional antes de ir. Uma vez que o azar pode bater-lhe à porta e as suas férias ou viagens de negócios podem sair-lhe tão dispendiosas que terá, provavelmente, de pedir um empréstimo avultado para liquidar as despesas de saúde em solo norte-americano.
Isto fez-me pensar:
Há muita gente que ainda não entendeu a mecânica do sistema de taxas e impostos, assim como não percebeu como estes servem para manter os padrões de fornecimento dos serviços e das utilidades públicas grátis.


O Sistema Nacional de Saúde "alimenta-se" dos impostos cobrados aos contribuintes, as contribuições para a Segurança Social (e não só).

Quando a sociedade portuguesa se queixa de um mau serviço público de saúde onde se espera meses por uma consulta de especialidade e anos por uma operação, eu até concordo.

Agora... quando apontam o dedo para França que ocupa o 1º lugar no Ranking de Sistemas de Saúde a nivel mundial, há que olhar, igualmente, para as suas taxas de impostos, por forma a ser uma comparação justa.

Pelo que o filme relata, além de outros textos relacionados, França é um paraíso médico. E já agora, desculpem a pergunta: Qual é a taxa de segurança social que os franceses págam?

TABELA COMPARATIVA DE TAXAS SEG. SOCIAL:
  • PORTUGAL - Empregado 11%, Entidade Patronal 23,75%
  • FRANÇA - Empregado de 14% a 20%, Entidade Pat de 35% a 45%
  • EUA - Empregado 7,65%, Entidade Patronal 15,30%

Espero que tenha feito click nessas cabeças todas que vieram ler o artigo.

E que tal um referendo?

Os Portugueses querem passar a descontar 14% a 20% para a Segurança Social, em vez dos actuais 11%?
As Empresas Portuguesas estão dispostas a pagar de encargos patronais, não 23,75% mas sim 35% a 45% para a Seg Social, por cada um dos seus empregados?

E perdoem-me por não falar dos trabalhadores independentes e dos seus descontos.

Em Portugal o que muitas empresas optam por fazer é darem Seguros de Saúde aos seus funcionários para além do obrigatório Seguro de Acidentes de Trabalho. Portanto descontar para o serviço nacional de saúde é obrigatório mas cada um pode ter ainda um seguro de saúde.

Também podiamos perguntar de outro modo:

Os Portugueses preferem baixar os seus descontos de seg. social para 7,65% e deixar de ter Sistema Nacional de Saúde?

As Empresas preferem baixar os seus encargos patronais para 15,30% e darem aos seus empregados um seguro de saúde?

Aqui entra a Solidariedade Social:

Então e os que estão desempregados, os que não podem trabalhar, as crianças, os velhos, os sem-abrigo, os doentes??????? Esses não tem dinheiro para um seguro de saúde!!!! Se deixar de existir um Serviço de Saúde Pública, então estes individuos mais desfavorecidos podem morrer sem tratamento (Isto é o que acontece na América!!).

E logo de seguida surge a problemática dos seguros de saúde:

O seguro não cobre uma lista infindável de doenças. Especialmente doenças congénitas. As Seguradoras visam o lucro (como é óbvio).

O Estado não visa o lucro, visa o equilibrio social, a diminuição da mortalidade e o aumento da esperança de vida em condições dignas.


Um tema bem próximo deste são as reformas. As quais dependem igualmente desta taxa de seg. social. Talvez um dia eu fale disto...

6 comentários:

  1. Olá. Bom blog. O Miguel Mais (Michael Moore) deixou-te a pensar, hein?

    A Ilda gostou. Parabéns, vou visitando no futuro.

    Mitch Malloy (Pedro Fernandes)

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  2. Olá Mitch Malloy. Que bom terem gostado do Blog.

    Na sexta-feira vou desencaminhar a Ilda para outros filmes...

    Prometo que não é um do IndieLisboa. Sei o quanto ficaste traumatizado da última vez com cinema independente.

    Mas pode ser cinema francês ou espanhol não pode? E que tal Romeno ou Israelita?

    Beijokas ;-)

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  3. Blog muito interessante, mas lendo este post, um pouco confuso, não se fica a conhecer a ideia da autora. Será que defende um sistema ou outro dos dois apresentados? Porque há outros, há países que têm um sistema 100% privado e que cobre tudo sem ninguém ficar de fora, tampouco aqueles que não o podem pagar.
    Já agora, não se diz "devia de conhecer" como no segundo período do post. Bom, também não se diz priúdo, mas isto não está lá.
    Parabéns pelo blog.

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  4. Ahahahah,
    Caro mentiroso,
    isso é que foi um comentário e tanto!

    Agradeço a chamada de atenção em relação ao "devia de conhecer". Já corrigi. Está bem agora?? :-))

    Interessa-lhe mesmo a opinião da autora do post?

    E podia dizer-me qual é o país que tem um sistema 100% privado para além dos EUA? (não minta hein!)

    Até breve.

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  5. Os mecanismos de financiamento da saúde pública, e o modelo econónico que seguem, são mais complexos do que o Michael Moore alguma vez será capaz de compreender.

    A universalidade do SNS - uma das características do serviço público - obriga de facto a vários tipos de ineficiência económica que todos nós temos de suportar através das contribuições fiscais.

    A forma mais fácil de perceber o nível de ineficiências é através da medição do nível de despesa pública em saúde em percentagem do PIB. E obviamente ver a tendência deste indicador ano após ano. Há cerca de uma década este indicador andava na casa dos 5%. Hoje este indicador anda na casa dos 10%. Significa isto que, per Capita, o estado gasta mais riqueza nacional com a saúde (muito mais) do que gastava uma década atrás.

    E não se pode dizer que a cobertura privada tenha diminuído. Pelo contrário, temos mais seguros de vida disponíveis no mercado, mais hospitais e clínicas privadas, mais consultórios abertos.

    De onde vem então este agravamento da despesa pública? Há vários estudos feitos sobre o tema em Portugal. E ao contrário do que se pensa não é nem com o envelhecimento da população nem com as inovações tecnológicas. É com o custo do pessoal, nomeadamente com os médicos (horas extras!), e com o custo dos fármacos.

    Curiosamentes dois lobbies tidos como poderosíssimos!

    É por isto que alguns países, por saberem das ineficiências do financiamento público, optam por sobrecarregar os cidadãos com uma menor taxa fiscal, e passam o ónus da prestação para os privados. Que obviamente também tem o seu custo.

    O equilíbrio não é fácil de atingir. Nem tão pouco é um exercício analítico de baixa complexidade.

    PS: Parabéns à autora deste blogg. Cheira-me que me tornarei um leitor frequente.

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  6. PD,
    és sempre bem vindo para contribuir para o blog com comentários desta qualidade :-)

    Agradeço-te toda a informação extra que anexaste a este artigo.

    É importante que o publicarparapartilhar seja também um espaço para debater ideias.

    Obrigado pela tua opinião em relação a este assunto do SNS.

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