30 outubro 2007

Graffiti - Cultura Urbana

Domingo, dia 28, último dia do doclisboa, assisti a um óptimo documentário (BOMB IT) sobre os Graffitis em várias partes do mundo.

O Graffiti nasceu nos EUA na década de 70 e apresentou-se como uma forma de chamar à atenção. Os writters assinavam constantemente o seu nome ou um nick nas paredes da cidade para serem conhecidos e respeitados. O graffiti está intimamente ligado aos bandos urbanos e a prática de pintar paredes é igualada a uma guerra de bombas de tinta.

Mais tarde, o Graffiti adquire outras qualidades. É uma reacção ao poder politico, é uma reacção às desigualdades, às discriminações raciais, a vários outros problemas sociais. Idêntico ao movimento Hip Hop e ao Rap.

Pinta-se em todo lado, e quanto mais radicais os locais melhor, quanto mais ilegal melhor. Os writters saem à noite, escalam edificios, invadem estações de comboio e de metro, deixam a sua marca de acordo com o seu estado de espirito momentâneo. As cores utilizadas transmitem muita da sua raiva, da sua depressão, do seu desespero ou então são explosões de vida e de alegria.
Surgem formas de combater esta "arte" urbana:
Em certos países opta-se por multar este vandalismo, colocar câmaras de video, formar equipas de detectives para descobrirem, através das tags (assinaturas), quem é o writter.


Noutros países, recuperam-se alguns desses "artistas" de rua que formam as equipas de limpeza noturna. Também saem à rua durante a noite, mas para limpar. Em troca, concedem-lhes espaços públicos próprios para pintar.
Na Austrália, por exemplo, já há quem pague a estes "artistas" para pintarem o muro da sua garagem. E na Holanda já há galerias de arte que vendem telas caríssimas de graffitis !

Muitos Graffiters não concordam com esta descaracterização do Graffiti. Dizem: - Assim, já não faz sentido. Onde fica o caracter radical? Se o Graffiti perder a prespectiva ilegal perde identidade.

Graffiti, Arte ou Vandalismo? Eis a questão.

28 outubro 2007

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Quem não conseguiu assistir ao filme ESCAFANDRO E A BORBOLETA durante a 8ª Festa do Cinema Francês, pode agora, a um preço superior (5,40 €), disfrutar deste maravilhoso filme nas salas de cinema nacionais.

Estreou na passada 5ª feira, dia 25, este Drama baseado na história real de Jean-Dominique Bauby.

Jean-Dominique Bauby era um jornalista Francês, autor e editor da revista ELLE que 2 anos antes da sua morte sofreu um acidente cardio-vascular que o deixou quase totalmente paralizado embora perfeitamente consciente do seu estado.


O livro que deu origem a este filme, foi "escrito" pelo próprio com a ajuda de um interlocutor que recepcionava letra a letra as palavras que formaram os textos. Bauby apenas conseguia mexer o olho esquerdo e com ele, piscava uma ou duas vezes para exprimir o SIM ou o NÃO. Dois dias após a publicação do livro, em Março de 1997, Bauby morreu, aos 45 anos, com uma paragem cardiaca.

Transcrevo aqui umas passagens do livro que ilustram bem o porquê da escolha deste título:


"Doem-me os calcanhares, sinto a cabeça apertada num torno, e todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro. (...) Não preciso de reflectir durante longo tempo para saber onde me encontro e recordar-me de que a minha vida sofreu uma reviravolta naquela sexta-feira, dia 8 de Dezembro do ano passado. (...) Naquele dia descobri abruptamente essa peça fundamental do nosso computador de bordo, passagem obrigatória entre o cérebro e os terminais nervosos, quando um acidente cardio-vascular me deixou o dito tronco fora do circuito. (...) mergulha-se naquilo que a medicina anglo-saxónica baptizou muito justamente com o nome de locked-in-syndrome: paralisado da cabeça aos pés, o paciente fica encerrado dentro de si próprio, com o espírito intacto e os batimentos da pálpebra esquerda como único meio de comunicação.


(...) Para lutar contra o anquilosamente, desencadeio um movimento reflexo de alongamento que faz mover os braços e as pernas alguns milímetros. Tanto basta, por vezes, para aliviar um membro dorido.
O escafandro torna-se menos opressivo e o espírito pode vagabundear, como uma borboleta. Há tanta coisa a fazer. É possível elevar-me no espaço ou no tempo, partir a voar para a Terra do Fogo ou para a corte do rei Midas. É possível ir visitar a mulher amada, deslizar junto dela e acariciar o seu rosto, ainda adormecido. É possível construir castelos no ar, conquistar o Tosão de Ouro, descobrir a Atlântida, realizar os sonhos de criança e os sonhos de adulto.



(...) Basta de dispersão. É sobretudo necessário que eu componha o início deste diário de viagem imóvel, para estar pronto quando o enviado do meu editor vier recolher este ditado feito letra a letra. Na minha cabeça, mastigo dez vezes cada frase, corto uma palavra, acrescento um adjectivo, e decoro o meu texto, parágrafo a parágrafo."


Caso prefira há sempre a hipotese de comprá-lo noutra língua, os títulos traduzidos são:
  • Le Scaphandre et le Papillon (em Francês)
  • The Diving Bell and the Butterfly (em Inglês)

Critica Internacional:


"O realizador Julian Schnabel e o argumentista Ronald Harwood conseguiram um pequeno milagre com esta adaptação ao grande ecrã da autobiografia de Jean-Dominique Bauby.” – Hollywood Reporter


“Fascinante e ambicioso pela forma como recria a experiência da paralisia no grande ecrã (…)” – Variety


"O realizador capta a metamorfose e a tentação espiritual de Jean-Dominique Bauby que recorda a sua vida assaltado por recordações de uma felicidade perdida, arrependimento e remorsos, e que escrevia: Estaria eu cego e surdo, ou será necessariamente precisa a luz da desgraça para mostrar um homem à sua verdadeira luz?" - La Croix



O Escafandro e a Borboleta foi apresentado no Festival de Cannes de 2007, tendo sido reconhecido com o prémio para Melhor Realizador.

22 outubro 2007

doclisboa 2007


Ainda me arrisco a uma OVERDOSE de cinema!!

Começou no dia 18 o DocLisboa, os bilhetes estão à venda nas bilheteiras da Culturgest, Cinema Londres e Cinema São Jorge. No Cinema Londres e no Cinema S.Jorge o preço dos bilhetes será de 2,5 euros. Na Culturgest dependendo se o filme é exibido no Pequeno ou no Grande Auditório, custará 2 euros e 2,5 euros, respectivamente.

A vasta programação está disponivel em http://www.doclisboa.org/pt_programa.htm.

O cinema documental pode mudar a nossa vida e a nossa visão das coisas. O doclisboa propõe-nos uma maratona de documentários que nos permite dar a volta ao mundo em apenas 11 dias.

Para além dos filmes exibidos, o público poderá visionar um conjunto de filmes (cerca de mil títulos, entre longas e curtas metragens) enviados para a selecção do festival. A videoteca SONY é um espaço de acesso público das 11h às 21h, na Culturgest (em frente ao grande auditório).

Existe ainda um espaço (o Fórum), junto ao grande auditório, para encontros e debates com os realizadores e outros profissionais do cinema documental (produtores, distribuidores, programadores, críticos,...).

Aproveito também, para recomendar a compra da revista docs.pt, uma revista semestral bilingue (português e inglês), de âmbito internacional, distribuida em todo o mundo. Mais informações em http://www.apordoc.org/

19 outubro 2007

SELECÇÃO Músical da 8ª Festa

Pas sur la bouche est un film français, musical et chantant d'Alain Resnais, adapté d'une opérette d'André Barde et Maurice. Sorti en France le 3 décembre 2003. Durée 115 min.

Lors d'un séjour aux États-Unis, Gilberte a été mariée en premières noces à un Américain, Eric Thomson. Son mariage a été un échec. Mais cette union n'ayant pas été légalisée par le consul de France, elle n'est, de fait, pas reconnue en France. Revenue à Paris, Gilberte a épousé Georges Valandray, riche métallurgiste. Celui-ci, qui croit à la félicité conjugale dès lors que l'on est le premier amant de sa femme, est soigneusement tenu dans l'ignorance de l'union avec Eric Thomson. Seule la sœur de Gilberte, Arlette Poumaillac, toujours célibataire, connaît le secret. Mais, par pure coïncidence, Georges Valandray entre en relations d'affaires avec cet Eric Thomson et se prend d'amitié pour lui.

Pas sur la bouche constitue le troisième film de Resnais dans le genre de la comédie musicale, après La vie est un roman et On connaît la chanson. C'est aussi un hommage au théâtre comme Mélo, avec des jeux de scène où les acteurs prennent à témoin le spectateur (en l'occurrence la caméra) et des mouvements de rideaux apparents.
Le caractère désuet et charmant de l'intrigue est harmonieusement compensé par la modernité de certaines tirades, comme celle sur la suffisance des Américains ou l'intemporalité des situations et leur traitement, qui évoquent à la fois Musset, Marivaux ou les comédies musicales.

Alain Resnais a tenu à ce que ses acteurs chantent les chansons du film et ne soient pas doublés.
Il déclare : « Mon grand plaisir au théâtre musical, que ce soit à Broadway, Londres ou Paris, c'est d'avoir en face de moi des acteurs qui chantent, et non des chanteurs qui jouent. Ce qui m'intéressait, c'était de voir si on pouvait prendre des acteurs français et n'en doubler aucun. Lambert Wilson est chanteur professionnel, les autres non. Ils se sont prêtés au jeu avec gourmandise. Je m'étais dit d'emblée : tant pis si ça n'est pas impeccable du point de vue du chant, du moment que les voix sont vraies. »

L'opérette fut créée le 17 février 1925. Elle fut adaptée une première fois au cinéma en 1931.

06 outubro 2007

2ª MOSTRA DE CINEMA BRASILEIRO

Quem anda na rua... tropeça nos acontecimentos...
Ontem, ao chegar ao S.Jorge para assistir ao MAUVAISE FOI fiquei a saber que no dia 19 de Outubro (até dia 21 do mesmo mês) temos mais uma festa no Cinema S.Jorge. Desta vez a festa é de cinema brasileiro.

A 8ª Festa do Cinema Francês é organizada pelo Instituto Franco-Português. A 2ª Mostra de Cinema Brasileiro é organizada pela Fundação Luso-Brasileira com o objectivo de apresentar o cinema brasileiro contemporâneo ao público português e à comunidade brasileira residente em Portugal. Vão ser exibidos 11 filmes. A iniciativa conta ainda com 2 mesas redondas, nas quais participam personalidades conhecidas do cinema brasileiro e português.
Programa:
Dia 19 (dedicado ao trabalho de Jorge Furtado)
  • 16h30 – “Houve uma vez dois Verões”

  • 18h00 – “Meu tio matou um cara”

  • 19h30 – “Homem que copiava”

  • 21h00 – Mesa redonda com Jorge Furtado, Ilda Santiago e Breno Silveira

  • 22h00 – “Saneamento Básico”

Dia 20 (dedicado ao trabalho de Daniel Filho e Glória Pires)

  • 18h00 – “ A Partilha”
  • 19h30 – “Se eu fosse você”

  • 21h00 – Mesa redonda com Daniel Filho e Glória Pires

  • 22h00 – “O Primo Basílio”

Dia 21

  • 16h00 – “Proibido proibir”, de Jorge Dúran

  • 18h00 – “ O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz

  • 19h30 – “Dois Filhos de Francisco”, de Breno Silveira

  • 22h00 – “O ano em que meus pais partiram de férias”, de Cao Hamburguer

O preço dos bilhetes mantém-se. Serão os mesmos 3,50 euros com desconto para menores de 25 e maiores de 65.



SELECÇÃO Drama da 8ª Festa

Exibição Sáb, 6 de Out, pelas 22.00, Cinema S. Jorge.

NUE PROPRIÉTÉ é uma co-produção Bélgica-Luxemburgo-França. O Realizador é o belga Joachim Lafosse, de 37 anos e este é o seu 4º filme que entrou na competição em Veneza, na 63ª Mostra em 2006 (embora não tenha ganho nenhum prémio). Estreou em França em FEV/2007.

"Divorciada e com dois filhos, Pascale encontra um novo companheiro e tem a chance de seguir com a própria vida. Moradora de uma antiga fazenda, ela pretende deixar tudo para traz para abrir uma pousada. Só que a notícia de que pretende vender a propriedade causa ira em Francois e Thierry (os dois filhos gêmeos - jovens adultos incapazes de tomar conta de si próprios) e uma briga violenta acontece pois os filhos não querem assumir uma vida de adultos. Sufocada, ela decide fugir de casa, facto que provoca um verdadeiro caos na restante da família."


O nome do filme sugere algo mais, mas isto sou eu a especular... Traduzindo o titulo do fime dá a sensação que a tal fazenda que Pascale quer vender é uma propriedade muito particular. Nue propriété é um terreno ou imovel que pertence a alguém mas do qual o usufruto pretence a outra pessoa. É o direito de propriedade versus o direito de usufruto.

A actriz principal é Isabelle Huppert, uma actriz consagrada. Recebeu o prémio de melhor actriz no Festival de Cannes em 2001 com o filme A Pianista.

A Pianista é um filme forte de uma intensidade emocional brutal. Quem não viu devia de ver. É a história de uma pianista de 40 anos, solteira e virgem, que vive com uma mãe tirana e opressora que lhe restringe a liberdade e a incapacita de ter a autonomia de uma adulta.

Não tenho qualquer informação sobre a distribuição de Nue Propriété em Portugal. Pode ser que a Atalanta Filmes tenha adquirido os direitos uma vez que a Lusomundo não vem referida. Se não estrear no grande ecran, estrea de certeza no video club (fique atento).

02 outubro 2007

SELECÇÃO Comédia da 8ª Festa

A 8ªFesta do cinema francês começa, amanhã, 4ª feira. O preço dos bilhetes é de 3,50 euros. Existe ainda um preço especial de 3 euros para estudantes (menos de 25 anos) e reformados.

Este filme que seleccionei como um dos que quero assistir, vai ser exibido no Cinema S.Jorge, 6ª feira, dia 5 Out, pelas 22.00 horas. Em Coimbra a dia 16, em Faro a dia 24 e no Porto a dia 28 Out.

Sinopse - MAUVAISE FOI:

"Há quase quatro anos que Ismaël e Clara formam um casal feliz e harmonioso. Ismaël é professor de música. Clara trabalha num Centro Médico. Juntos, partilham apenas o melhor. Cada um mora na sua casa e faz a sua vida. Mas Clara é judia e Ismaël é árabe e quando Clara descobre que está grávida, o dia mais feliz das suas vidas vai transformar-se num pesadelo!"

Como é que toda esta harmonia e todo este amor entre pessoas de credos e nacionalidades tão diferentes pode ser afectado quando a sociedade e os familiares não aceitam a união destas duas pessoas?

Parece um filme light, daqueles de sábado à tarde, mas acredito que poderá ser uma comédia brilhante que utiliza o humor como antidoto para a intolerância e para os costumes enraizados.

O realizador, argumentista e actor deste filme é filho de emigrantes marroquinos. De nome Roschdy Zem recebeu em 2006 o prémio de Interpretação Masculina no Festival de Cannes pelo seu papel em Indigènes.

O filme Mauvaise Foi estreou em França em DEZ/2006. Em Portugal vai ser distribuido pela Lusomundo. Não consegui descobrir para que data está prevista a estreia nas salas de cinema portuguesas. No entanto vários filmes desta 8ª Festa (onde podemos assistir às ante-estreias) serão estreados em todas as salas Lusomundo entre Outubro e Dezembro de 2007.
Portanto, não fiquem tristes se falharem a alguma sessão da 8ª Festa. Mas fiquem atentos às estreias Lusomundo até ao final do ano corrente.
Boas pipocas!!

01 outubro 2007

A Sabedoria Popular

Este sketch dos Gatos cai-me que nem uma luva :-) Ter tudo do bom e do melhor não é para mim.
Conseguir manter um equilibrio de consumo e bens materiais evita os extremos de pobreza e de riqueza.

Sábias palavras: "Eu nunca tenho barriga de miséria, no mínimo tenho barriga remediada."
Ou seja, não sou rica, nem sou pobre, sou feliz com o que tenho ;-)