06 novembro 2007

European Film Festival Estoril


Vai nascer no dia 8 de Novembro de 2007 um novo festival de cinema europeu. Paulo Branco da Madragoa Filmes é quem dirige este festival que tem como espaço geográfico primordial a Europa, embora seja também uma janela para o que se faz de melhor da 7ª arte em todo o mundo.

O Festival exibirá 14 filmes em competição:
…A Bude Hur
Petr Nikolaev
República Checa , 2007, 86’

Garage
Leonard Abrahamson
Irlanda, 2007, 85’

Gegenüber
Jan Bonny
Alemanha, 2007, 100’

Madonnen Maria Speth
Alemanha, Suíça, Bélgica, 2007, 125’

Gruz 200 Aleksei Balabanov

Russia, 2007, 89’

La Linea Recta José María de Orbe
Espanha, 2006, 95’



Nu Te Supara, Dar…
Adina-Elena Pintilie
Roménia, 2007, 50’


Miehen Työ Aleksi Salmenperä
Finlândia, 2007, 100’


Yumurta Semih Kaplanoğlu
Turquia, Grecia, 2007, 97’



Sügisball
Veiko Õunpuu
Estónia, 2007, 123’




Tussenstand
Mijke de Jong
Holanda, 2007, 80’



Tueur Cédric Anger (Antestreia Mundial)
França, 2007, 90’
Actrices Valeria Bruni Tedeschi
França, 2007, 107’
L'Été Indien Alain Raoust (Antestreia Mundial)
França, 2007, 100’


Assim como exibirá 15 filmes Fora de Competição, entre os quais "4 meses, 3 semanas e 2 dias" um filme Romeno que ganhou a Palma de Ouro 2007 no Festival de Cannes em Maio deste ano. O director desta longa-metragem, revelou, durante a premiação que até há poucas semanas atrás não tinha dinheiro para lançar o filme e que este prémio serve de incentivo a todos os pequenos cineastas do mundo, porque veio mostrar que não é preciso ter muito dinheiro para fazer um bom filme.

Destaca-se ainda o filme Paranoid Park do norte americano Gus Van Sant que ganhou o Prémio Especial do 60º aniversário do Festival de Cannes 2007, nesta rúbrica Fora de Competição.
Mas o festival não fica por aqui !! Teremos ainda uma Homenagem a Almodover com a mostra de 16 filmes do cineasta, 5 dos quais em que ele entra como actor:

2006 - Volver (Volver, Esp.)
2004 - A Má Educação (La Mala Educación, Esp.)
2002 - Fale com Ela (Hable con Ella, Esp., Fra.)
1999 - Tudo Sobre Minha Mãe (Todo sobre mi madre, Esp., Fra.)
1997 - Carne Trêmula (Carne trémula, Esp., Fra.)
1995 - A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, Esp., Fra.)
1993 - Kika (Kika, Esp., Fra.)
1991 - De Salto Alto (Tacones lejanos, Esp., Fra.)
1990 - Ata-me! (¡Átame!, Esp.)
1988 - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, Esp.)
1987 - A Lei do Desejo (La Ley del deseo, Esp.)
1986 - Matador (Matador, Esp.)
1984 - ¿Qué he hecho yo para merecer esto?
1983 - Maus Hábitos (Entre tinieblas, Esp.)
1982 - Labirinto de Paixões (Laberinto de pasiones, Esp.)
1980 - Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón

Por fim, teremos, igualmente, uma retrospectiva da obra completa de David Lynch, vencedor do Leão de Ouro de Carreira no Festival de Veneza 2006. + Informações http://www.europeanfilmfestivalestoril.com/

O Festival termina a 17 de Novembro. Os filmes serão exibidos no Casino do Estoril e no CascaisVilla. Há uma diferença no preço dos bilhetes. No Casino do Estoril um bilhete custará 6 euros, no CascaisVilla, apenas 4 euros. Os concertos serão gratuitos, limitados ao número de lugares disponiveis.

04 novembro 2007

SICKO - Sistema Nacional de Saúde vs Sistema Privado de Saúde



Conhece este senhor de nome Michael Moore? Se não conhece, devia conhecer. Não pelo seu carácter anti-americano ou pelo sensacionalismo com que realiza os seus filmes, mas por dizer com toda a frontalidade o que pensa. Possuidor de um humor bastante ácido consegue fazer-nos reflectir sobre assuntos pertinentes.

Se é uma daquelas pessoas que os acontecimentos dos EUA não lhe interessam, então adapte apenas, a Portugal, estas questões de assistência médica levantadas por Michael Moore no seu último filme: SICKO.

Estreou no passado dia 1 de Novembro. Foi um dos filmes exibidos no doclisboa 2007 porém, agora, é possivel ter nova oportunidade de vê-lo no Nimas e nas Amoreiras em plena Lisboa. É o 3º filme mais lucrativo da história dos documentários, depois de Fahrenheit 9/11, e de A Marcha dos Pinguins.

SICKO expõe o Sistema de Saúde Norte-Americano e mostra-nos os problemas resultantes de não existir um Sistema Nacional de Saúde. Ser Americano impõe ter um seguro de saúde ou pagar do seu bolso as despesas decorrentes de cuidados preventivos, curativos e paliativos.

Aliás, se costuma viajar para os EUA, não esqueça, por favor, de contractar um seguro de cobertura internacional antes de ir. Uma vez que o azar pode bater-lhe à porta e as suas férias ou viagens de negócios podem sair-lhe tão dispendiosas que terá, provavelmente, de pedir um empréstimo avultado para liquidar as despesas de saúde em solo norte-americano.
Isto fez-me pensar:
Há muita gente que ainda não entendeu a mecânica do sistema de taxas e impostos, assim como não percebeu como estes servem para manter os padrões de fornecimento dos serviços e das utilidades públicas grátis.


O Sistema Nacional de Saúde "alimenta-se" dos impostos cobrados aos contribuintes, as contribuições para a Segurança Social (e não só).

Quando a sociedade portuguesa se queixa de um mau serviço público de saúde onde se espera meses por uma consulta de especialidade e anos por uma operação, eu até concordo.

Agora... quando apontam o dedo para França que ocupa o 1º lugar no Ranking de Sistemas de Saúde a nivel mundial, há que olhar, igualmente, para as suas taxas de impostos, por forma a ser uma comparação justa.

Pelo que o filme relata, além de outros textos relacionados, França é um paraíso médico. E já agora, desculpem a pergunta: Qual é a taxa de segurança social que os franceses págam?

TABELA COMPARATIVA DE TAXAS SEG. SOCIAL:
  • PORTUGAL - Empregado 11%, Entidade Patronal 23,75%
  • FRANÇA - Empregado de 14% a 20%, Entidade Pat de 35% a 45%
  • EUA - Empregado 7,65%, Entidade Patronal 15,30%

Espero que tenha feito click nessas cabeças todas que vieram ler o artigo.

E que tal um referendo?

Os Portugueses querem passar a descontar 14% a 20% para a Segurança Social, em vez dos actuais 11%?
As Empresas Portuguesas estão dispostas a pagar de encargos patronais, não 23,75% mas sim 35% a 45% para a Seg Social, por cada um dos seus empregados?

E perdoem-me por não falar dos trabalhadores independentes e dos seus descontos.

Em Portugal o que muitas empresas optam por fazer é darem Seguros de Saúde aos seus funcionários para além do obrigatório Seguro de Acidentes de Trabalho. Portanto descontar para o serviço nacional de saúde é obrigatório mas cada um pode ter ainda um seguro de saúde.

Também podiamos perguntar de outro modo:

Os Portugueses preferem baixar os seus descontos de seg. social para 7,65% e deixar de ter Sistema Nacional de Saúde?

As Empresas preferem baixar os seus encargos patronais para 15,30% e darem aos seus empregados um seguro de saúde?

Aqui entra a Solidariedade Social:

Então e os que estão desempregados, os que não podem trabalhar, as crianças, os velhos, os sem-abrigo, os doentes??????? Esses não tem dinheiro para um seguro de saúde!!!! Se deixar de existir um Serviço de Saúde Pública, então estes individuos mais desfavorecidos podem morrer sem tratamento (Isto é o que acontece na América!!).

E logo de seguida surge a problemática dos seguros de saúde:

O seguro não cobre uma lista infindável de doenças. Especialmente doenças congénitas. As Seguradoras visam o lucro (como é óbvio).

O Estado não visa o lucro, visa o equilibrio social, a diminuição da mortalidade e o aumento da esperança de vida em condições dignas.


Um tema bem próximo deste são as reformas. As quais dependem igualmente desta taxa de seg. social. Talvez um dia eu fale disto...