27 fevereiro 2008

ECOMOVE - International Environmental Film Festivals

ECOMOVE internacional,
é uma organização activa, tanto na Alemanha como a nivel internacional, que suporta e promove a media audio-visual ligada a questões ambientais e de desenvolvimento sustentável.


ECOMOVE tem a sua sede em Freiburg (Alemanha) e baseia-se na cooperação de vários festivais internacionais de cinema ambiental. O primeiro proposito da criação desta organização foi utilizar os filmes para fazer passar a mensagem a uma escala mundial.
Assim sendo, fornece a informação necessária às pessoas, por forma a que possam mudar os seus hábitos de acordo com uma consciência mais ecológica e sustentável.

A media audio-visual tem cada vez mais, um papel central na vida de cada um de nós. As imagens determinam, crescentemente, o nosso estilo de vida. Ecomove preocupa-se em apresentar filmes sofisticados, reais e de muita qualidade.


O Ecomove 2001 e 2003 realizou-se em Berlim, 2002 em Joanesburgo e em 2005 em Tokyo. A partir de certa data começou a patrocinar outros festivais em Italia, Polónia, República Checa, Rússia, Eslováquia e Japão. Passou a dedicar-se à mecanica da organização e a facilitar a troca de informação entre os seus membros organizadores de festivais sobre esta temática.

Membros fundadores:
  • EARTH VISION (Japan)

  • EKOFILM (Czech Republic)

  • ENVIROFILM (Slovakia)

  • GREEN VISION (Russia)

  • PUCHALSKI NATURE FILM FESTIVAL (Poland)
  • SONDRIO - INTERN. DOC. FILM FESTIVAL ON PARKS (Italy)


Já no próximo dia 7 de MAR terá lugar o 16º Earth Vision em Tokyo (http://www.earth-vision.jp/). No site oficial é possivel ver a programação e as respectivas sinópses.

No EkoFilm 2007 da República Checa estiveram presentes 2 documentários portugueses já nossos conhecidos:

Ainda há pastores? / Are There Still Any Shephers? - 72´




"A história dum pastor da Serra da Estrela, um rapaz novo numa terra de velhos. Uma aldeia onde não há água canalizada, nem electricidade. Dizem que é o pastor mais novo, mas também o mais doido.Sozinho, rádio na mão, rasga montanhas ao som das cassetes do popular cantor Quim Barreiros, que um dia sonha conhecer.Os sons das cassetes e do rádio puxam-no para longe de uma vida de solidão. São a união entre dois mundos diferentes.Distantes e próximos.Na sociedade moderna o futuro de Hermínio é inquietante.Até quando o jovem Hermínio será pastor? Até quando estas paisagens manter-se-ão imaculadas?"


Este documentário já passou na televisão portuguesa mas pode agora ser alugado no home video da smartv da clix.


Praia de Monte Gordo / Monte Gordo Beach - 30´



"A vida da Praia de Monte Gordo desde o tempo em que era aglomerado piscatório até aos nossos dias, transformada num local de turismo. Muitos hábitos mudaram. Uns por força da necessidade de mão de obra para construir os empreendimentos hoteleiros, outros por motivo de escassez de peixe naquelas águas. O Algarve já não é o que era. Mudou a paisagem, mudaram os barcos tipicos, mudaram as gentes... Tudo mudou... "

Este documentário foi exibido no DocLisboa 2007 e na mostra PANORAMA 2008.



Em Portugal também já existem uns quantos festivais sobre o tema ambiente e ecologia mas não fazem parte da organização internacional ECOMOVE.

O Festroia - Festival Intern. de Cinema, por exemplo, tem uma secção intitulada "O HOMEM E A NATUREZA" dentro da área competitiva. Convido a visitarem o site ( http://www.festroia.pt/) e a assistirem aos filmes do festival de 6 a 15 Junho.

Aqui fica a ideia: organizar um fim-de-semana em Setúbal, ir à praia a Troia e assistir ao festival ao entardecer.

20 fevereiro 2008

DOCUMENTÁRIO - Se esta praça fosse uma pessoa... (Manuela Sanz e Diogo Andrade)


LA PLAÇA DE LA VIRREINA, é uma praça em Barcelona, das maiores e mais espetaculares da Gràcia. Muito frequentada, mais que não seja pelos turistas que visitam a Igreja paroquial de San Joan, construida en 1894 por Berenguer, discípulo de Gaudí.

Repleta de esplanadas, acolhe diariamente eventos diversos, como feiras, festas, concertos...Uma praça que nunca dorme. Mesmo depois das festas há sempre movimento, até porque os bares precisam de renovar o seu stock de comes e bebes. Rodeada de lojas interessantes e de "simpáticas" árvores.

À noite, a fachada da igreja é suavemente iluminada e recebe a noturnidade cinéfila à saídas das sessões de cinema do Verdi e Verdi Park. De dia, entre uma visita à Galeria de Arte Contemporanea Torrijos, descansa-se, comodamente.

Nesta curta metragem os documentaristas dão-nos a conhecer os acontecimentos daquela praça e as personagens mais marcantes que praticamente vivem nas escadas de acesso à igreja. Enquanto isto e com uma banda sonora de muito bom gosto questionam as mais diversas pessoas: - Se esta praça fosse uma pessoa, que tipo de pessoa seria? (Si esta plaça fuera uma persona... If this plaza was a person…)

Há respostas brilhantes... (exemplo) "se esta praça fosse uma pessoa seria uma pessoa extremamente alegre, porém, por vezes, depressiva. Quase bipolar. Com polaridade extrema. Eu já passei por esta praça a todas as horas e verifico os contrastes. Há alturas de muitissima agitação e outras alturas de pesada tristeza, de desertico silêncio."

Esta curta de 22' esteve presente no PRIMEIRAS - Festival de Cinema e Video Art - organizado pelo MAL (movimento acorda Lisboa) sobre o tema TRIBOS URBANAS, projectado ao ar livre em Setembro 2007 num anfiteatro, juntamente com outros filmes de jovens realizadores e artistas provenientes de Portugal, Espanha, Finlândia, Hungria, Reino Unido e Brasil.

Adorei o filme. Muito criativo. Deixo aqui ritmos da Praça embora não sejam estas as imagens do documentário.


Se eu fosse uma praça, seria de certeza a praça de la virreina. Sempre activa e cheia de alegria. Multifacetada. Mas sem depressões. O sossego também é necessário para recarregar as forças :-)

19 fevereiro 2008

VIDDY, encontrei esta foto do BERLINALE


Andaste perto deste ursito?
Neste sitio conseguias de certeza umas fotos fantásticas.
Acredito que seja possivel obter uma foto da imagem do urso na água, será?

13 fevereiro 2008

PERSPEKTIVE - International Human Rights Film Festival Nuremberg

Este ano os meus textos ganharam vida própria... São "eles" que me empurram para novos assuntos relacionados com os redigidos anteriormente. Enquanto que no ano passado eram os eventos em Portugal que se impunham no meu Blog conforme a agenda cultural.

Através do fio condutor dos Direitos Humanos descobri, deste modo, o PERSPEKTIVE:

É um festival temático, dedicado a filmes, documentários e produções animadas sobre o tema dos Direitos Humanos. O 5º International Human Rights Film Fest ocorreu em Outubro de 2007. Repetir-se-á, apenas, em 2009, uma vez que é um festival que acontece de 2 em 2 anos em Nuremberg (Alemanha).


O objectivo deste festival é promover o entendimento entre culturas diferentes e sublinhar a responsabilidade individual durante um tempo de globalização. Espera demonstrar que o abuso dos direitos humanos tem raizes politicas, economicas e culturais, pelo que leva a cabo um trabalho imperativo e contínuo de educar as pessoas neste sentido. Espera-se que através dos filmes, expondo as pessoas a estas informações, consiga-se mudar mentalidades e ajudar a entender o desconhecido. As imagens são um poderoso meio para ilustrar o que as palavras por vezes não conseguem. Depois de visionar um destes filmes reavaliamos as nossas atitudes e reconhecemos a responsabilidade humana de cada um de nós, perante a violação sistemática dos Direitos Humanos no mundo.


Nuremberg está intimamente ligada ao papel que a cidade desempenhava durante a tirania Nazi. Era em Nuremberg que se realizava a festa anual dos solidarios Nazis e ainda, onde eram promologadas as leis desumanas contra os judeus, comunistas, homossexuais, ciganos, e deficientes, terminando no Holocausto. No entanto, Nuremberg, foi igualmente, onde foram julgados os crimes de guerra mundial no International Military Tribune.


Na programação do PERSPEKTIVE 2007 podemos encontrar filmes já nossos conhecidos como: PERSÉPOLIS, presente na 8ª Festa do Cinema Francês; 4 MESES, 3 SEMANAS e 2 DIAS, presente no 1º Festival do Estoril; SICKO, presente no DocLisboa 2007.



PERSÉPOLIS é a adaptação cinematográfica, em forma de animação, da autobiografia de MARJANE SATRAPI. Desenhadora desde criança, passou a sua infância no Irão, confrotada com restrições de liberdade e com a revolução islâmica. Aos 14 anos, os seus pais mandam-na estudar para a Áustria. Depois de ter concluído o ensino secundário, decide estudar Belas Artes em Teerão. Termina os estudos em França, onde estuda grafismo. Em 2004 começa a trabalhar no 1º volume da sua autobiografia em Banda Desenhada. Com Vincent Paronnaud adapta esta obra ao cinema. A história duma menina de 8 anos que apesar de usar véu, sonhava em ser revolucionária. A sua língua afiada e a sua rebeldia eram um problema para os pais. ESTREIA cinemas lusomundo a 21 fev 2008.












O DocLisboa 2006 mostrou-nos antes deste festival, SISTERS IN LAW. Mas onde poderemos nós encontrar BELZEC, CALCUTTA CALLING, IRAQ IN FRAGMENTS e ANGOLA - SAUDADES FROM THE ONE WHO LOVES YOU? As sinopses estão disponiveis em http://www.humanrightsfilmfestival.org/programm.php?navId=142








Estranhamente, não encontrei nenhum filme nacional! Mas o documentário português conta já como imensos títulos. Aliás, a partir de dia 15 FEV podemos rever cerca de 90 filmes de cinema documental luso no PANORAMA, a mostra que decorrerá no S.Jorge. Claro que será este o meu próximo artigo :-))

09 fevereiro 2008

A TRILOGIA DAS CORES de Krzysztof Kieslowski


A propósito da Decl. Univ. dos Direitos Humanos, referida no post anterior, que comemora a 10 DEZ 2008, 60 anos desde que foi aprovada pela ONU, em 1948, como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e nações, lembrei-me da Trilogia de Kieslowski.


A idéia de produzir um documento que formalizasse os direitos humanos é antiga. Há 300 anos, na Inglaterra, foram publicados os direitos dos cidadãos ingleses, não fazendo qualquer alusão aos direitos humanos gerais. Nos EU, em 1776, as colónias que se rebelaram justamente contra os ingleses também produziram a sua versão de direitos humanos. Mas foram os 17 artigos da Declaration des Droits de L'Homme et du Citoyen­, surgidos da Rev. Francesa em 1789, que mais influíram na redação do documento aprovado pela ONU.

Reza assim o 1ºartigo da Universal Declaration of Humam Rights:
"Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade."


Liberdade,
Igualdade e
Fraternidade,
o lema francês, colorido pelas 3 cores da Bandeira de França:
Azul,
Branco e
Vermelho, respectivamente.

Krzystof Kieslowski, um cineasta polaco que morreu em 1996, deixou-nos várias obras interessantes, mas o seu maior sucesso comercial foi A TRILOGIA DAS CORES: 3 filmes inspirados nas 3 cores da Bandeira Francesa e nas palavras que representam.

A liberdade (representada pela côr azul) é, de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, ela designa a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional, ou seja, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários, desenvolve as potencialidades de cada um e aproxima o homem de si mesmo, motivando a ter auto-estima.

O conceito de Igualdade (representada pela côr Branca) descreve a ausência de diferenças de direitos e deveres entre os membros de uma sociedade. Na sua concepção clássica, a idéia de sociedade igualitária começou a ser cunhada durante o Iluminismo, para idealizar uma realidade em que não houvesse distinção jurídica entre nobreza, burguesia, clero e escravos. Mais recentemente, o conceito foi ampliado para incluir também a igualdade de direitos entre gêneros, classes, etnias, orientações sexuais etc..

A palavra Fraternidade (representada pela côr vermelha) é frequentemente confundida com a expressão caridade e solidariedade, embora elas tenham significados diferentes. Enquanto a fraternidade expressa a dignidade de todos os homens, considerados iguais e assegura-lhes plenos direitos (sociais, políticos e individuais), a idéia de caridade cria a desigualdade entre os homens, na medida em que faz crer que alguns deles possuem mais direitos e são superiores e portanto são generosos quando os compartilham com os demais.

Os filmes desta trilogia são muito metódicos e fieis aos temas. Em cada um é notória a predominancia da côr nas imagens. É como se a côr do tema inundásse a pelicula.

Azul venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1993. Fala-nos de uma mulher que perde o marido e a filha num acidente de viação. Após silenciar muita da sua dor, chega à conclusão que possuir é sofrer, e, criar laços traz agonia... Como solução, liberta-se de tudo o que têm e afasta de si todos aqueles que a amam. Ser livre torna-se o seu principal objectivo. Liberdade total de bens e de sentimentos sobre o pano de fundo sempre azul.


Branco recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim em 1994. Branco é o casamento entre uma Francesa e um Polaco que não dá certo. Este casamento encontra-se já na fase de divorcio quando o filme começa. Há aqui um problema de linguagem... A Francesa acusa o marido em pleno tribunal e é um interprete que tem de traduzir as acusações ao marido... O realizador faz-nos sentir que há uma desigualdade na maneira como aquele estrangeiro é tratado pelo juiz e mais tarde os problemas que enfrenta para regressar ao seu país. Apesar do grande amor que o Polaco sente pela mulher, arquitecta um plano para a fazer passar pelo mesmo pesadelo que ele passou, aliciando-a a visitar a Polónia e simulando uma situação desagradável que a levará à prisão. "Olho por olho, dente por dente"

Vermelho, foi seleccionado para a competição oficial em Cannes do mesmo ano. Uma Jovem modelo que vive sozinha. Um Juiz na reforma que escuta as conversas telefónicas dos vizinhos. Uma cadela que é atropelada pela rapariga mas que pertence ao juiz, une-os por casualidade. O juiz é um homem frio e desinteressado pela vida na altura em que a rapariga aparece. A jovem é uma pessoa boa, sempre pronta a ajudar toda a gente, algo carente. Apesar de condenar o que o juiz faz, ela sente pena dele, da sua solidão e não consegue afastar-se. No fundo ela própria procura companhia e amparo. Gera-se uma relação de apoio mútuo que os vai unir num amor fraterno.

Para além dos enredos particulares a cada filme, descobre-se entre os 3, um fio condutor. O local onde todas as histórias se entrelaçam é o Tribunal. E a mesma cena aparece nos 3 filmes de prespectivas diferentes. Todas as histórias culminam no filme Vermelho, a bordo do FerryBoat que naufraga deixando apenas 6 sobreviventes... (e mais não digo....) Simplesmente deliciosos, inexplicávelmente maravilhosos, surpreendentemente enigmáticos, magicamente inesquecíveis.