29 Março 2008

CASCAIS ACTIVO NO AUTÓDROMO

AUTÓDROMO ESTORIL - Dia 29 Mar 08 - 2º Grande Prémio de Actividade Física - ENTRADA GRATUITA









O Autódromo do Estoril vai voltar a abrir, gratuitamente, as suas portas à população pelo 2ºano consecutivo.
No Sábado de manhã, entre as 10 h e as 13 h, é possivel visitar o espaço a pé ou de bicicleta, triciclo, patins em linha, skate, etc...


Para além do circuito propriamente dito, vão acontecer animações paralelas na zona da partida. Existirá um palco, aulas de aquecimento, yoga, hip-hop, alongamentos, aula de educação rodoviária, animações de skate e patins, insufláveis, e um grande prémio (sem carros :-))...


A população agradece duplamente, pela oportunidade de pisar a pista, e pela redução do barulho que se vai fazer sentir no sábado de manhã. Só quem mora perto do autodrómo é que sabe o incomodo que é ouvir os treinos e as corridas dos carros e das motas. Tanta poluição sonora Meu Deus!! Tantos combustiveis fosseis mal gastos Santa Mãe!!


Enfim, vamos esquecer esses pormenores e aplaudir a iniciativa. Esperemos que o "Autódromo" tenha as suas quotas de carbono todas págas!!




INFORMAÇÕES SOBRE A PISTA:


Área: 52ha
Extensão do traçado: 4.182,720 m
Extensão ideal do traçado: 4.140,42 m
Largura: 10.00 m – 18.00 m
Largura na recta da meta: 14.00 m
Largura nas curvas 1,2,3,11,12,13: 14.00 m
Largura nas curvas 4,5,6,7,8: 10.00 m
Largura nas curvas 9,10: 18.00 m
Curvas: 13
Para a esquerda: 4
Para a direita: 9
Maior recta: 985,686 m (Recta da Meta)
Inclinação
Máximo ascendente: 6,75%
Máximo descendente: 5,56%
Escapatórias
Profundidade: 0.25 m
Quantidade: 58.000 m2
Paddock
Paddock dos pilotos: 24.500 m2
Paddock de apoio: 07.000 m2
Boxes
Largura: 6.70 m
Profundidade: 17.00 m




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23 Março 2008

"Deixe-se contagiar! Solte a Franga ou o Frango que há em si. Promova a Fuga das Galinhas!!"

MEIAS DE SEDA - ÚLT. DIA 30 MARÇO

Um espetáculo altamente recomendável pela energia positiva que nos é transmitida através dos ritmos quentes do Brasil na voz cristalina de Valéria Cardoso. Acreditem que se dança na cadeira!!

A Companhia de Actores numa co-produção com o Teatro Independente de Oeiras, propõe-nos, desde dia 8 Março, que todos os domingos deste mês, seja festejada a alegria de ser mulher pela voz de Valéria Carvalho, guitarra de Virgilio Gomes, percursão de João Ferreira, poesia de Alberto Caeiro, e pelas músicas brasileiras de Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Lenine, Luiz Gonzaga, entre outros.


MEIAS DE SEDA é uma apresentação performática onde se mistura a música, a dança, o teatro e a poesia. Num ambiente intimista, a actriz acompanhada pelos músicos, iniciam o mergulho num universo contagiante onde os sons, o gesto e a palavra invadem os sentidos.
Um espetáculo quente como o carinho de uma mulher de sensualidade dengosa, corpo cheiroso, a extasiar de volumpia... puro prazer... Um tributo à mulher, onde a actriz interpreta várias personagens femininas (da dona de casa à prostituta) sempre com uma forte carga imagética ao longo do espectáculo, retratando realidades contrastantes.



O auditório do T.I.O. Teatro Independente de Oeiras, Novo Espaço, situa-se em Sto. Amaro de Oeiras, na Av. Marginal, no Edifício Parque Oceano (edifício espelhado em frente à praia) - junto ao McDonald's.

Inicio do evento: 21 h - Duração 1 h 30 - Preço do bilhete: 10 euros.

FOLHETIM de Chico Buarque - Tema cantado no Meias de Seda


Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

O VERBO E A VERBA de Lenine - Tema cantado no Meias de Seda

Dolores, Dolares...

O verbo saiu com os amigos pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas porque ela era tudo o que ele tinha.

O verbo não soube explicar depois, porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras o verbo afogou sua mágoa, e dormiu.
Dolores, Dolares...
O verbo gastou saliva de tanto falar para o nada.
A verba era fria e calada, mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio, e depois quando a verba chegou,
Era tarde demais, o cadáver jazia, a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.
Dolores e dólares...
Que dolor que me da los dólares...
Dólares, dólares

FACILITA de Luiz Gouzaga - Tema cantado no Meias de Seda


Comadre Joana sempre reclamou
Da minissaia que a filha tem
O namorado se invocou também
E certo dia pra ela falou:


Tua saia, Bastiana, termina muito cedo
Tua blusa, Bastiana, começa muito tarde


Mas ela respondeu: Oi, facilita
Pra dançar o xenhenhém, oi, facilita
Pra peneirar o xerém, oi, facilita
Pra dançar na gafieira, oi, facilita
Pra mandar pra lavadeira, oi, facilita
Pra correr na capoeira, oi, facilita
Pra subir no caminhão, oi, facilita
Pra passar no ribeirão, oi, facilita


Tua saia, Bastiana, termina muito cedo
Tua blusa, Bastiana, começa muito tarde

21 Março 2008

PRENSA DE BRIQUETES para recuperadores de calor

Ainda ando a "carburar" sobre este assunto, mas vou já dar-vos uma introdução a respeito deste tema:

Uma amiga minha, a Beatrice da Energialivre.com.pt, enviou-me um mail intitulado "50 PEQUENAS ACÇÕES PARA PROTEGER O AMBIENTE"...Mail esse que me deixou a pensar... (aliás, tudo, em mim, funciona como pedra de toque).


Algures no meio das 50 pequenas acções falava em reciclar papel através do fabrico de briquetes para lareiras e recuperadores de calor. Naveguei na net, telefonei para uma ou duas lojas de venda de lareiras à procura desta Prensa para Briquetes e fiquei altamente frustrada por chegar à conclusão que em Portugal já não se vende nada disto. O Miguel ainda sugeriu passarmos com o carro por cima da biomassa para compactar (ahahahah).


Consequentemente, lá fui eu, procurar em Inglês e em Francês na internet: "Newspaper Briquette Maker" e "Frabriquez vos propres briquete pour la cheminée". Acredito que se soubesse falar Alemão ou Chinês encontraria algo mais.

Resumindo, encontrei a tal prensa. Com portes de envio fica em 50 euros (ira!!). Sai cáro ser ecológica.

Aqui na foto, os briquetes são apenas de papel de jornal. Mas de preferência convém fazer briquetes mais elaborados. Tudo começa com papel cortado, de molho em água. Quando já estiver pápa, junta-se, serradura e aparas de madeira, folhas secas de jardim, agulhas de pinheiro e folhas de eucalipto secas, para dar cheiro ao queimar... Tudo migadinho.


Por fim é só colocar a massa na prensa, comprimir, e tirar os tijolos que serão postos ao sol a secar.

É uma óptima maneira de aproveitar as toneladas de jornais gratuitos que invadem a nossa caixa de correio diariamente. Ou de aproveitar o lixo do nosso escritório :-)) E esta hein?????

Estes briquetes funcionam melhor em lareiras fechadas com recuperados, para não largar fumo. Não é aconselhável utilizá-los em churrasqueiras. São passiveis de deixar algum gosto desagradável na comida.


Aproveito esta publicação para dar umas ideias... Enquanto utiliza a lareira pode sempre aproveitar o lume para cozinhar qualquer coisa: Umas castanhas assadas com sal embrulhadas em prata; uma batata doce com canela embrulhada em prata; aquecer água em chaleira fechada para chá; assar legumes em papelote, batatas, bananas, etc... Pipocas em tacho de ferro...

Raramente ligo a lareira, mas quando o faço, não desperdiço nada. Até a cinza serve para adubar os canteiros da varanda :-)) Faz-te esperto (a)!!

19 Março 2008

Pão de Soja com pinhões

Para evitar ciumeiras, vou dedicar
este artigo a todas as minhas amigas
que influenciei a comprarem uma máquina de pão:
Alexandra, Vanessa, Ana Margarida e Cristina.
Aqui fica uma receita inventada por mim :-))
As que tiverem portátil podem levá-lo prá cozinha.
Assim...poupam árvorzinhas pois não gastam papel.

Ingredientes:
200 ml de leite de soja
160 ml de água
3 copos farinha trigo (tipo65)
1 copo farinha soja
2 colheres "sopa" mel
2 colheres "sopa" óleo soja
1 colher "chá" sal
1 colher "sopa" canela em pó
raspa de 1 laranja
3 colheres "chá" fermento padeiro

pinhões e pássas

Preparação:

Deite primeiro os liquidos quentes (não a ferver!) na forma. De seguida o mel (ou acuçar), o óleo de soja (ou outro óleo), o sal. Mexa. Acrescente as farinhas, a canela, a raspa laranja e o fermento.
Programe a máquina para Pão Rápido II (fastbread II), e após 10 minutos de estar a amassar, junte uma chavena pequena de pinhões e pássas. (os pinhões é opcional, mas colocar pássas, é obrigatório, pois a frutose da pássa de uva ajuda o pão a crescer).

A meio do tempo já é possivel verificar que o pão está a crescer. Depois de acrescentar os pinhões é proibido abrir a máquina, hein! Senão lá se vai o crescimento.
No fim o pão terá este aspecto maravilhoso. Preparem a manteiga de soja, o leite de soja com chocolate, ou um chá verde com pau de canela e folhas frescas de hortelã. Humm....Vou comer, já venho ;-)
Aproveito para informar as pessoas que têm máquina de pão Morphy Richards que os acessórios para esta máquina estão à venda na Baixa de Lisboa - já lá fui comprar uma forma nova, a anterior morrer por excesso de uso :-((
Assistência Morphy Richards em Portugal:
Rua dos Correeios, nº60, 2ºandar, Lisboa - Telef 21.3428743

14 Março 2008

RECEITA de Tofú (Filetes)

Este artigo é dedicado à minha amiga Sónia
que me pediu uma receita de Tofú
e eu achei preferível ilustrá-la com imagens.
(Sónia, leva o portátil prá cozinha :-)
Afinal somos ou não, mulheres modernas?
(em vez de livros de culinária usamos portáteis :-))


Ingredientes (3 a 4 pessoas):

500 gr Tofú Fresco
100 ml Tamari
sumo 2 limões médios
50 ml água
3 dentes de alho
1 "polegar" gengibre fresco
50 ml azeite


Preparação:

Num copo misturador colocar todos os ingredientes à excepção do Tofú. Triturar até ficar liquido.

Cortar o Tofú em fatias e deixá-lo a marinar nesse líquido pelo menos 2 horas, caso queira deixar a marinar de 1 dia para o outro, reduza a quantidade de sumo de limão.


Quando for a grelhar, seque as fatias com papel absorvente. E só coloque as fatias quando a placa anti-aderente estiver bem quente. Vire com frequência. As fatias começam a ganhar um tostado exterior como se tivessem passado em ovo e farinha.


À parte faça um arrozinho de legumes: refogado de cebola em azeite, até dourar. Junte tomates pouco maduros, cortados em meias luas, e lombarda cortada grossa. Deixe refogar mais alguns minutos. Inclua o arroz. Adicione água a ferver para não causar choque térmico. Tape e deixe cozer. No fim tempere de sal.

Conselho:
Prefira produtos de agricultura biológica. Têm todos mais sabor, mais vitaminas e estão isentos de quimicos.

08 Março 2008

CINELENÇOL 444 - Filmes sobre mulheres

Post Comemorativo Dia da Mulher - 8 Março

Este fim de semana aluguei 4 filmes no clube de video ALCAIDE, aproveitando a promoção: 4 económicos, 4 dias, 4 euros. Filmes realizados entre 2002 e 2004. Magníficos! Que me deixaram a pensar, depois de absorver toda a informação incluída...


Comecemos pelo 1º filme: NOIVA RUSSA PROCURA-SE (2003) - EUA - Um filme sobre uma Viagem de Romance organizada pela empresa FOREIGN AFFAIR onde homens procuram, noutros países, mulheres à moda antiga (fadas do lar submissas). Esta história tem como personagens principais, 2 irmãos agricultores americanos que após a morte da mãe, ficam sozinhos e não sabem cuidar deles próprios, nem da casa. Pelo que resolvem encontrar uma mulher estrangeira para ser sua "criada interna" a troco de um visto de residência, cama e comida.


A empresa em causa, existe mesmo. As situações relatadas não são ficção. O filme é baseado em factos verídicos. Inclusive os depoimentos dos entrevistados são verdadeiros. Ainda há poucos meses, eu soube dum individuo que contractou uma brasileira para ser sua mulher, trazendo-a para Portugal com um contracto de 3 meses (à experiência). Ao fim de 1 mês devolveu-a à precedência.


Os homens alegam que as mulheres do próprio país estão muito inacessíveis. Demasiadamente independentes. E só estão interessadas na carreira. Nada de filhos ou de trabalhos domésticos. Pois é... dá sempre jeito ter uma criada a tempo inteiro. Confesso que eu também gostava, mas como não sou de escravizar ninguém, basto-me a mim própria. E além disso, tive azar, não nasci homem!!


O 2º filme: AS IRMÃS DE MARIA MADALENA (2002) - Irlanda - Também se baseia em factos verídicos, denuncia os Asilos de Maria Madalena criados na Irlanda durante o século XIX que serviam para acolher (ou melhor prender) as adolescentes que por infortúnio caiam em desgraça.


Outra designação atribuída a estes asilos, era, Lavandarias Madalena. E às miúdas chamavam-lhes as Lavadeiras de Deus. As freiras usufruiam do trabalho destas jovens (a quem não pagavam nenhuma remuneração) para prestarem serviços à comunidade. Lavar a roupa dos outros era sinónimo de lavar a alma de pecados. A punição-purificação pelo trabalho era a forma encontrada pelas freiras para justificarem os 364 dias de trabalho por ano. Eram ainda obrigadas a trabalhar em silêncio, sem comunicarem umas com as outras, trajando sempre a mesma farda de cores escuras.


O mais rídiculo é que a admissão como irmãs de madalena acontecia não só por uma rapariga ter-se deixado cair em tentação, assim como por poder vir a constituir uma tentação, ou por ter sido violada por um familiar ou conhecido. Ao violador, ou ao aproveitador nada acontecia. A familia renegava estas jovens por terem deixado de serem virgens e em casos extremos por terem ficado grávidas. Os bébés eram dados para a adoção.


Os asilos de Maria Madalena (a santa que fora pecadora) terminaram apenas em 1996. Mas foram motivos económicos que forçaram ao seu fim, e não motivos humanos. O facto de começarem a aparecer máquinas de lavar roupa levaram a que as pessoas deixassem de enviar a roupa para a lavandaria. Deixou de entrar receita, terminou-se com a despesa do internato destas jovens. Incrivel não é verdade?


O 3ºfilme: PRECIOSA IGUARIA (2004) - Hong Kong - O cinema fantástico no seu melhor. Macabro mas brilhante. Uma mulher obcecada por se manter jovem descobre uma cozinheira que confecciona uns bolinhos de carne e vegetais, milagrosos. Os bolinhos têm o dom de rejuvenescer. A mulher rica, todos os dias visita a casa da cozinheira que noutra época, havia sido médica obstétricia e abortocionista. Todos os dias é-lhe servida uma refeição de bolinhos chineses. E aos poucos descobrimos que se trata de uma prática de canibalismo, visto a carne dos bolinhos serem embriões humanos.


A politica de filho único é aqui referida como sendo uma lei propicia a fornecer embriões suficientes para estes bolinhos. Há ainda um pormenor importante: a existência de mais fetos femininos do que masculinos. Isto porque na China comunista nascer mulher era nascer escrava. Uma mulher tinha por obrigação cuidar de todos os homens da familia: pai, irmãos, filhos... E ainda, quando casava, tinha de cuidar dos sogros. O que levou muitas mulheres a preferirem o aborto do que darem à luz, como seu único filho, uma menina!


Para além do contexto em si, temos neste filme uma maneira de filmar quase poética. As imagens parecem quadros com vida. Excelente qualidade das imagens, quer em nitidez, em côr, ou em enquadramento. Requer um estomago forte mas é um filme imperdível.


O 4ºfilme ainda não vi LOLOLOLOL... volto mais logo ;-)

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Voltei...

Este 4ºfilme é mais recente: AS VIDAS DOS OUTROS (2006) - Alemanha - Gira em torno da censura que era exercida sobre a Cultura e sobre os Artistas na Alemanha Oriental durante o Comunismo. É um thriller político e um drama humano que traz a lume a repressão psicológica da liberdade individual de cada um e da liberdade de expressão. Começa na RDA em 1984, 5 anos antes da queda do muro de Berlim.


Através deste filme acompanhamos a gradual desilusão de um oficial altamente credenciado da STASI que inicialmente é um fervoroso adepto da causa socialista mas que termina "aliado" do celebre escritor/dramaturgo que ficou de vigiar. É um filme bastante premiado e com todo o mérito. A ver, obrigatóriamente.

Para terminar o fio condutor deste post, faço referência à namorada do dramaturgo, uma bonita actriz que entrega o seu corpo a um ministro, sendo esta a única forma de poder continuar a manter a fama e a profissão. Caso contrário o regime proibiria totalmente a actriz de representar, assim como o fez a um outro dramaturgo que acaba por se suicidar. Nesta época a taxa de suícidios na RDA subir drasticamente, especialmente no sector das Artes.

No fim deste 4-4-4 fica uma breve conclusão: Aproveitem a liberdade que outros não tiveram. Leiam, vão ao teatro, vejam filmes, assistam a documentários, conheçam a realidade que os rodeia. Testemunhem os acontecimentos que nos precederam. Aprendam a não cair nos mesmos erros. E não se deixem escravizar ou submeter a outros seres humanos. Ninguém é superior a ninguém, nenhuma raça, nenhum género, nenhuma classe economica, nada! E por favor, mulheres, não vivam em função de quem amam. Não se limitem a vocês próprias, agora que já nenhum regime vos limita. Cada um tem de valer por sí só. Valorizem-se.

07 Março 2008

QUE FAREI COM ESTE LIVRO? - de 7 a 16 MAR 2008 - Teatro D.Maria II

A pergunta é formulada por Camões, quase no final da obra, e o livro a que se refere não poderia ser outro senão "Os Lusíadas".


Camões aparece aqui como personagem do livro para teatro de José Saramago, escrito em 1980 para a Companhia de Teatro de Almada. 30 anos depois, a CTA resolve repôr a peça durante as comemorações do trigésimo aniversário em 2007, em co-produção com o Teatro Nacional de Faro, onde estará em Fevereiro, e o Teatro D.Maria II, onde chegará em Março 2008. Desta vez sem cortes, Joaquim Benite faz uma releitura da obra, reencenando-a de modo completamente diferente, remetendo-nos para a relação do artista e da obra perante o poder.


"Camões surge como o paradigma do criador que é muitas vezes desprezado e, depois da morte, posto num pedestal. O artista e a obra são muitas vezes odiados e perseguidos", diz o encenador.


Que Farei com Este Livro? refere-se ao modo como os estados totalitários perseguem os artistas. Seja no período sebastianista - caracterizado por um nacionalismo exaltado, pela repressão do pensamento livre e por uma sociedade em que a Inquisição assume um papel preponderante - seja ainda, no Estado Novo, de que o País tinha saído recentemente quando José Saramago escreveu a peça.


"O País herdou uma mentalidade vinda dos vários períodos ditatoriais que sofreu. Hoje, há outras formas de censura. Existe uma ditadura de audiências, o mediatismo social, a cultura do que é frívolo e fácil. Hoje, decreta-se a 'morte civil' de um artista, se ele não aparecer na televisão. Pouca gente lê escritores realmente importantes deste período. Se olharmos para trás, não foram os best-sellers que influenciaram a humanidade. Há uma falta de perspectiva das sociedades em relação aos artistas."


A acção decorre em Almeirim e Lisboa, entre Abril de 1570 e Março de 1572, ou "com menor rigor cronológico, mas com maior exactidão, entre a chegada de Luís de Camões a Lisboa, vindo da índia e Moçambique, e a publicação da primeira edição de 'Os Lusíadas'".


Entre personagens históricas também há lugar para os tais representantes do povo e para o escritor, todos a acompanhar a edição de "Os Lusíadas". Ou de um outro livro qualquer. "Se eu fosse esmolar pelas ruas e praças talvez me dessem dinheiro para comer. Mas não mo dariam se eu dissesse que o destinava a pagar ao livreiro que me imprimisse o livro." Foi Camões ou Saramago a dizê-lo?


Não perca esta oportunidade de ver bom teatro português, em MAR (de 7 a 16), no teatro D.Maria II. Para os que desconhecem, há preços especiais às terças, quartas e quintas no D.Maria II na baixa de Lisboa (informe-se em http://www.teatro-dmaria.pt/). Vá ao teatro durante a semana. É mais "saudável" do que ficar a ver telenovelas em dose tripla :-S (que horror!!! a ver tv não se aprende nada. É uma perda de tempo e uma manipulação constante).

06 Março 2008

Se te é impossivel viver só, nasceste escravo! - Excerto DO DESASSOSSEGO


«A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.


Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente.


Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo.Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.»


Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

Meus Queridos Vegetais!! - Excerto DO DESASSOSSEGO


«Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira.
Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que ouvesse recebido uma fortuna - a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor..

Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!»
Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

DO DESASSOSSEGO - Teatro da Comuna

Entrei no mundo
dos heterónimos de
Fernado Pessoa na altura em que li "O ano da morte de Ricardo Reis" de Saramago.
"Ricardo Reis chega a Portugal em 1936, após uma ausência de 16 anos no Brasil, e aí se instala testemunhando o desenrolar de um ano trágico, através do qual o leitor é levado a sentir o clima sombrio em que o fascismo se afirma na sociedade, antevendo-se um futuro negro na história de Portugal, Espanha e Europa."

A obra de José Saramago só por si bastava por ser tão fielmente representativa de uma época e ao mesmo tempo tão imaginativa em termos de personagens e de enredo:
"Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o no cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal. Saramago conta-nos historias da sociedade humana daquela época através dos olhos de Ricardo Reis que é visitado frequentemente pelo fantasma de Fernando Pessoa, e com o qual estabelece diálogos sobre a relação da vida com a morte."


Mas para mim não bastou ficar-me apenas pelos testemunhos de Saramago, tive de tentar perceber e descobrir estas diferentes personalidades de Fernando Pessoa. Então, na altura, rumei à Fnac para absorver mais informação à cerca dos heterónimos deste poeta e escritor português. Deliciei-me com o Livro do Desassossego.


Este livro pertence ao semi-heterónimo Bernardo Soares. É considerado "semi" porque, como seu próprio criador explica "não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela, sou eu menos o raciocínio e afectividade."

É um livro fragmentário, escrito na forma de fragmentos, sempre em estudo por parte dos críticos pessoanos, tendo estes interpretações díspares sobre o modo de organizar o livro.


Bernardo Soares dentro da ficção de seu próprio livro é um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Desenvolve a dramaticidade das reflexões humanas à beira do tédio, do trágico e da indiferença. Os fragmentos são investigações íntimas das sensações provocadas pelo anonimato, pela quotidianidade da vida comum e todo o "universo" da baixa de Lisboa.


O Teatro de pesquisa da Comuna resolveu pegar neste tema. João Mata, encenou uma peça de teatro inteiramente baseada no livro. Um monólogo interpretado por 2 personagens: Um actor (Carlos Paulo) e um músico (Hugo Franco).
O actor, representará seis personagens que compõem o imenso caleidoscópio de vivências que “O Livro do Desassossego” propõe: o Escriturário , a Criança , o Mendigo , o Palestrante , Homem/Mulher e o Revoltado.

Fernando Pessoa ,ele próprio , é o musico , sem palavras, mas que através da execução musical de temas originais e, recorrendo aos mais variados instrumentos, preencherá silêncios , anunciará as mudanças, marcará os ritmos- maestro por excelência – dos seus heterónimos.


"Espero que as minhas espectativas não estejam demasiado altas..." - escrevia eu, aqui, quando publiquei este artigo em Janeiro!
Ontem, 5 de Março, consegui finalmente assistir à peça e vim de lá maravilhada.
Destaque para a belíssima interpretação de Carlos Paulo, pela sua extraordinária capacidade de decorar os 6 monólogos de texto complicado e representá-los para o público com tanta alma e perfeição. Os meus parabéns, igualmente, a toda a equipa pelo cenário, luzes e efeitos de palco, e ao músico Hugo Franco que dá um toque especial com os seus instrumentos exóticos.
Este espectáculo estará em cena apenas até 8 de MAR (de 4ªF a sábado às 21h30m, domingos às 17h. Preço dos bilhetes: 4ªF e 5ªF preço especial único de 5€, nos outros dias preço normal 10€, estudantes e terceira idade 7,50€).
Faço votos para que esta peça seja reposta brevemente pois sei de amigos meus que infelizmente não conseguiram assistir à peça e que lamentam profundamente esta perda.

03 Março 2008

FNATES - Festival Nacional Teatro Especial - 7 a 10 Março 2008 - Abrantes

O FNATES é um evento fora dos grandes centros urbanos, promovido pelo Centro de Recuperação Infantil de Abrantes (CRIA) que em 2008 apresenta a sua VI edição, no Cine-Teatro S. Pedro, em Abrantes.
Trata-se de uma iniciativa de âmbito NACIONAL, que envolve grupos de teatro constituídos por actores portadores de deficiência, oriundos dos mais diversos pontos do país.


A CRIA pretende com este projecto dar continuidade a um evento, com mérito reconhecido, que realça a importância do teatro como ferramenta terapêutica e pedagógica. E ainda como um veículo para combater o preconceito e motivar a mudança de actitutes. Os deficientes são pessoas tão válidas e necessárias na sociedade como todos nós.


É importante promover o intercâmbio, ao nível das instituições de ensino especial e reabilitação de diversas regiões do país. Divulgar o trabalho realizado pelos jovens portadores de deficiência na área do teatro. Estimular a criatividade dos jovens e a aproximação das pessoas. Despertar e sensibilizar o público em geral para as capacidades dos jovens portadores de deficiência.


Durante 4 dias, jovens, crianças e adultos saem dos seus espaços quotidianos de aprendizagem e formação, onde se sentem protegidos, vão para o Cine-Teatro S. Pedro, em Abrantes, sobem ao palco e mostram à sociedade o seu trabalho. Ainda esbarrando contra diversas barreiras, desde a indiferença onde mergulham algumas (poucas) pessoas a quem as emoções e os direitos de quem nasceu diferente ou se tornou tão especial parece ainda nada significar, até às dificuldades de alguns acessos. Afinal, a necessidade de inclusão, neste caso pela arte, só existe, porque a sociedade promoveu a exclusão.




Cabe a cada um de nós apoiar e reforçar as conquistas já atingidas, para que não prevaleça a indiferença de uma sociedade economicista que talvez ainda não tenha percebido o verdadeiro significado daquela simples frase que nos lembra: “A deficiência não é a diferença, porque diferentes somos todos nós”.




PROGRAMAÇÃO:

Dia 7(tarde) - "Seguindo em Frente" pela CRINABEL Lisboa
Dia 7(noite) - "História do Sr.Kauner" pelo Espaço T - Teatro a Metro Porto


Dia 8(tarde) - "Re-nascer" e "O mundo inteiro nas nossas mãos" pela CERCI Lisboa
Dia 8(noite) - "Escuta-me" pelo Grupo Era uma vez... Porto


Dia 9(tarde) - "Chuva choramingas" pela CRIARTE Abrantes
Dia 9(noite) - "Dom Quixote" pela Alma Grande Setúbal


Dia 10 - "Preguiça" pelo Grupo Palha Abrantes.

O preço do bilhete é de 1 euro (um euro) para o público em geral e os Grupos das Escolas e Instituições de Solidariedade Social terão entradas gratuitas.


Seria bastante interessante e positivo conseguirem, num futuro próximo, alargar o âmbito e tornar este festival ibérico, europeu ou até mesmo mundial.


Apoie este evento, vá ao teatro. Conheça a instituição CRIA em http://www.cria.com.pt/. Verifique dentro do site o trabalho realizado ao nivel da formação e profissionalização destas crianças. E ainda, se mora na próximidade saiba os serviços que são "oferecidos" ao exterior: a possibilidade que você tem de contractar serviços diversificados como jardinagem, agricultura, serviços domesticos e restauros. Ajude este centro a ajudar.