25 abril 2009

BATATA DE SEQUEIRO OU DE CEDO o fim!

Adeus oh terra,
Adeus linda serra de flores a brilhar,
Adeus aldeia,
que eu levo na ideia,
de em breve cá voltar :-)

Foi hoje o grande dia. Parti de manhã, com 3 sacas vazias à espera de encontrar um campo repleto de batatas.

Quando lá cheguei, comecei por admirar as bonitas papoilas de geração expontânea que cresceram no meu jardim selvagem. No caminho também tirei umas fotos à serra coberta de um manto dourado bordado a flores amarelas. Por fim olhei para as plantas da batata e verifiquei que não tinham desenvolvido muito desde que lá estive há 1 mês atrás.

Não desenvolveram mas também não morreram apesar da seca que se fez sentir, todo o mês, desde 15 Março até 25 Abril. Coitadinhas, algumas estávam amareladas, desbotadas, mas outras, as que apanham sombra da parte da tarde, estávam vissosas.

A ideia inicial era apanhar parte e deixar outra parte lá, a desenvolver mais um pouco. No entanto estivemos quase quase para apanhar todas pois como não são regadas por mão humana podem não ter a sorte do S.Pedro as regar para mim.

Resumindo, a sementeira não deu como esperado. A planta não desenvolveu em cima, e não desenvolveu em baixo. As batatas são praticamente, todas, pequenas, à excepção de algumas médias. Semeamos 25 quilos de batata-semente, trouxemos exactamente 25 quilos de produção (meia saca de batatas). Mas ainda lá deixámos umas plantas mais grandonas e bonitas a desenvolver um pouco mais. Pelo espaço ocupado versus a experiência adquirida, deve dar 1 balde de batatas as que lá ficaram.

Portanto, não dá para comercializar, lamento! Só dá para distribuir pela familia mais próxima, batatinha nova que se come com pele e tudo. Nada mau.

Enfim, se estou triste? Não não estou. Nada triste. Embora quem tenha ido comigo e que está habituado a estas andanças agricolas tenha lamentado o sucedido desde que chegou até que largou o campo de cultivo. Ao que eu respondi o seguinte:

- Sr.Zé, o proposito de semear estas batatas é muito maior do que a simples produção. Em primeiro lugar, acredite ou não, nunca antes eu tinha visto uma planta da batata com suas batatinhas agarradas. Foram precisos 37 anos para comprar um terreno, semear e colher batata. Para mim é um momento importante.

Em segundo lugar, foi um desafio. Quis pôr à prova o poder da natureza para sozinha conseguir gerar alimento com pouca intervenção humana. Foi interessante verificar que nenhuma praga atacou a sementeira. Ó terra abençoada.

Em terceiro lugar, estive a contribuir para aumentar o oxigénio na terra. Todas estas plantinhas estiveram a respirar dioxido de carbono e a oxigenar o ar. E se repararmos bem, não ficámos a perder. A natureza deu-nos o que colocámos lá enquanto esteve a desempenhar outras funções.

Bom, mas atenção, para aqueles que não percebem nada de horta, fiquem sabendo que as batatas sementes não se aproveitam. Essas são deitadas fora, o que se apanha são as batatas novas que estão agarradas às raizes conforme podem ver na foto. Estas batatinhas acabadas de apanhar estão no seu esplendor de vitamina C. Conforme forem envelhecendo vão perdendo a vitamina C.

Entretanto, o passo seguinte é mandar analisar aquele solo. Vai na volta o problema até não foi só da falta de água e as batatinhas não desenvolveram porque aquele solo pode ser pobre em azoto!? Sim mas há formas ecologicas de aumentar o azoto num solo. Assim como a batata pode não ter gostado do ph do solo... Pronto, trouxe trabalho para casa, já se está a ver.

Para terminar, como o chão tinha ficado remexido nada melhor do que jogar uns punhados de grãos de trigo só para ver se pega. Já vão tarde, bem sei, mas são cultura de sequeiro e senão pegarem pelo menos servem de alimento os passarinhos que estiveram a cantar para nós o dia inteiro.

Aiiii ó terra, aldeia que eu trago na ideia... Quero já voltar!!

15 comentários:

  1. Realmente, admiro-te! Todas as tuas experiencias!

    Olha que as batatas estão mesmo com bom ar!

    Essa tua filosofia é inspiradora, deram o que foi possivel, nao sendo preciso gastar a agua que tanto nos faz falta nao é verdade?

    Beijoka

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  2. Ai é que está Verdinha. Como tudo nesta vida as pessoas só visam o "lucro" ou a produção e esquecem-se de todas as etapas que estiveram no caminho, dos custos inerentes e dos sub objectivos.

    O Sr.Zé (meu sogro) só dizia: Esta sementeira q aqui está era para ter dado 4 vezes mais, no minimo! Assim não, assim não vale a pena o esforço!

    E eu perguntei: Sem água? Sem adubos? Sem nada?

    E a minha sogra respondeu prontamente: Ai não, na terra do meu marido regam as batatas de 2 em 2 dias quando não chove. E aplicam-lhe adubo quimico antes da sementeira. E ainda, no fim de semana passado lá estivemos e era tanto o escaravelho da batata que se teve de tratar (com pesticidas claro)!

    Bom... palavras para quê!?

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  3. :) :)

    Ainda me lembro bem quando o meu pai e os irmãos se junavam para semear e mais tarde apanhar as batatas que cultivavam nas terras dos meus avós - era uma festa e para mim, uma criança de cidade, uma aventura fantástica!

    Tu és uma pessoa mesmo surpreendente. :)

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  4. Esta experiencia fez-me lembrar o marido, só que ele tem mais sorte, tudo que planta cresce em progressão geométrica hehe e também não trata nada, os vizinhos até ficam com os olhos em bico com a produção que a quintinha dá e não analisámos terra nenhuma é tudo a lei da natureza e no meio de muita erva hehehe
    Boa sorte para a próxima:-)
    Bjinhos

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  5. Pelo menos não perdeste tudo. As batatinhas têm bom aspecto :)

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  6. Querida Rute, já semeio batatas há 11 anos e quase todos os anos acontece alguma coisa, ou dá mal na batata ou a produção é pouca, mas a verdade é que não há nada melhor do que saborear as batatas cultivadas por nós. É uma vitória muito saborosa! Todos os anos fazemos experiências... é giro!

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  7. Aqui em casa comemos muitas batatas, é um dos alimentos preferidos do Alexandre e do namorado da Catarina (e meus, também, só batatas com azeite são para mim um pitéu...). Compro-as, mas também me dão muitas, assim, biológicas :), é uma alegria!
    Nunca semeei, mas já as andei a apanhar muitas vezes..
    Bem, pode ser que agora tenhamos muitas receitas com batatinhas! ;) ha, ha!
    Beijinhos
    Isabel

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  8. Aprendi um pouco mais, aliás, de plantação de batata não entendo nada.
    Sua forma de ver o lado positivo das coisas encanta.
    Que lindas papoulas!
    Bjs.

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  9. Não sei se a tua Saga das Batatas chegou ao fim, ou se é o início de um novo cíclo...
    Vou acompanhar a novela com afinco! hehehe:)

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  10. Pelo que estou a ver, quase todas têm historias para contar em redor das batatas. Dáva uma boa tertulia hein.

    Alcina isso é que é ter queda para a agricultura. De facto já ouvi falar que há pessoas que tudo o que põem na terra, pega e dá. As tuas batatas também são de sequeiro? Ou são regadas?

    Suzi, 11 anos, são muitos anos! Ainda bem que me avisas que pode sempre acontecer algo. As tuas também são de sequeiro? O sabor destas minhas batatas ainda não sei qual é. Mas vou saber em breve.

    Gasparzinha, acabas de me dar outra boa razão para plantar batatas. Juntar a familia e ter um objectivo em comum. Foi de facto o que aconteceu, passamos bastante tempo com os meus sogros. Divertimo-nos até!

    Ameixinha e Mary, preparem-se para ver muita receita com batata. E também muito artigos em redor deste tema sequeiro. Cenas dos próximos episódios da saga: Trigo de sequeiro, continuação :-))

    E tu Isabel que não adivinhasses o que eu estou a pensar. Acertas sempre! Muitas receitas surpreendentes com batatinhas, olarila.

    Gina, eu sou mesmo muito positiva. Na realidade há sempre um lado bom em tudo. E nada melhor do que esquecer o que correu menos bem e dar ênfase ao lado bom. Assim tenho sempre a felicidade do meu lado ;-)

    Beijinhos e boa noite.

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  11. Rute,
    Bem me parece que não és rapariga de desistir. A agricultura tem destas coisas, às vezes não sai como esperamos. Mas valeu o cheiro da terra, a alegria de ver as plantas a crescer e no final das contas nem tudo perdido, pois foi-te restituído o que investiste.
    Bjs

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  12. Alô Rute!

    Gostei de ver as tuas batatas! Também nós temos uma história à volta das batatas. A mãe de um amigo nosso tem uma horta para os lados de Loures, para consumo próprio e partilhar com a vizinhança e familia.

    Já sabemos que quando for altura de colher as batatas, vamos ser chamados para pela primeira vez ver e colher batatas. Vai ser uma experiênia interessante ;-)

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  13. Eu estou com a Gasparzinha, nem te passa pela cabeça o que eu já me recordei...

    Dos tempos de "menina e moça" a plantar as batatas com os meus avós e a colhe-las...

    Só me apetece dizer:"Ó tempo, volta p'ra trás..."

    Beijinhos

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  14. ola:)
    Gostei muito de ver este post, compraste um terreno foi?
    perto de tua casa ou vais la só ocasionalmente?
    Boa iniciativa!é assim que se começa;)
    sofia

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  15. Sim Sofia, comprei um terreno numa aldeia, a 2 horas de distância da minha casa na cidade.

    Só vou lá ocasionalmente. Gostaria de passar lá mais tempo mas não tenho lá, casa, nem água para regar, só terra mesmo.

    Estou a juntar dinheiro para construir uma casinha. Aos poucos atinjo o meu objectivo.

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