07 agosto 2010

CRÚSSUMISMO NA TEIA AMBIENTAL

Terminada a Blogagem Colectiva Espiritual, incluo-me agora na Teia Colectiva Ambiental e mais uma vez vou seguir a dica da Gina: usar a vertente da culinária como trampolim para os temas.

A todo o
dia 7 de cada mês, a teia irá ser tecida por talentosas aranhas fêmeas e aranha-macho :)
Julgo que os mentores da Teia, aqueles que criaram o desafio, foram o Gilberto e a Flora. A teia conta já com 6 elementos e vai no 3ºtema proposto para 2010: CONSUMISMO - o acto de consumir produtos ou serviços indiscriminadamente, sem noção do impacto que terá esse excesso de consumo desnecessário.

Escolhi então falar-vos do consumismo alimentar e das consequências no meio ambiente. Embora em muitos países ainda impere a fome, o que é facto é que, por enquanto, ainda há comida que chegue para todo o mundo. A obesidade é uma doença causada não só pela inactividade mas também, por excesso alimentar e má alimentação à base de gorduras, açúcares, massas, pães e etc...

Comemos demais! O correcto seria comer apenas o suficiente para saciar as necessidades energéticas diárias, mas até o simples facto de comermos à pressa, sem quase mastigar, não dá tempo ao estômago para se sentir satisfeito. Quando este o faz, já entraram mais 4 ou 5 garfadas que não faziam falta nenhuma.

A este ritmo alimentar como conseguirá o planeta sustentar toda a população num futuro próximo? Mais ainda porque a humanidade carnivora é em maior número do que a humanidade vegetariana/vegan.

Não sei se já repararam mas o ciclo de produção de alimento para a humanidade carnivora, é muito mais extrenso do que o ciclo de produção de alimento para a humanidade vegetariana. Até certo ponto, os ciclos acompanham o caminho um do outro, semear, regar, ver crescer, apanhar... mas enquanto que os vegetarianos comem o que sai da terra, os carnivoros esperam que os animais comam os vegetais, cereais e frutas, esperam que os animais cresçam e se desenvolvam para depois, sim, comerem.

Ou seja, à velocidade a que todos nós comemos, tendo em conta o número sempre crescente de população, o desperdicio que é deitado fora, como seria, é e será possivel esperar por um ciclo tão longo que termine em tempo útil, sem recorrer a inseminação artificial, selecção de raças, hormonas de crescimento e antibióticos que evitem perdas de produção e acelerem o desenvolvimento da nossa comida?? A tudo isto junta-se a poluição. As toneladas de excrementos animais, carregadas de quimicos que contaminam terra, água e ar.

Claro que também não está certo o que estão fazendo em relação à soja. A soja ao ficar tão popular, vai "invadindo" tudo o que é campo de cultivo, alcançando
floresta que é derrubada inclusive na Amazônia!!! Cuidado com o marketing!! O consumidor é um alvo fácil.
A humanidade vegetariana também recorre demasiado a produtos transformados como a soja texturizada, por exemplo... Numa primeira fase, pós transição da alimentação carnivora para a vegetariana há sempre a tendência de recear a falta de proteina. Mas não convém cairmos em erro semelhante ao consumismo de proteina animal. Se no prato está um bife de vaca, porquê pôr também um ovo em cima? Se a refeição contém proteina suficiente porquê terminar com uma sobremesa à base de ovos?
No campo do vegetarianismo não é só a soja, a leguminosa mais rica em proteínas, note-se que 100 gr de soja contêm 35 gr de proteína e que 100 gr de lentilhas, por exemplo, contêm 26 gr de proteína. Dai que escolhi a lentilha para rainha da minha confecção. Uma lentilha germinada aumenta a percentagem de vitaminas, minerais, enzimas e catalizadores. E ainda obtém uma pré-digestão que permite comê-la crua. Penso que o consumo de crú é uma óptima forma de diminuir ainda mais o ciclo de produção, suprimindo a cozedura.
O crú é uma alimentação que sacia rapidamente, evitando o consumo exagerado.
INGREDIENTES da Saladinha de lentilha crua:
  • 1 cebola pequena picada;
  • Vinagre suave (usei de ameixa);
  • 1 tomate médio picado;
  • 1 pimento verde picado;
  • 1 courgette tenra crua picada;
  • Rebentos de lentilhas castanhas (brotos);
  • Azeite;
  • Molho de soja.
CONFECÇÃO:
2 dias antes, demolhar em água durante a noite, lentilhas secas. No dia seguinte de manhã, escorrer a água e deixar tapado. A meio do dia, banhar as lentilhas novamente em água e escorrer o excesso. Repetir este procedimento à noite, na manhã seguinte, hora de almoço e assim sucessivamente até as lentilhas começarem a germinar. Ao germinarem perdem a casca e ficam lentilhas coral.
Picar a cebola e juntar o vinagre. Picar sequencialmente tudo o resto e juntar à medida que for picando com a cebola. Adicionar lentilhas germinadas e temperar de azeite e molho de soja. Se quiser pode ainda pôr pitada de sal se o salgado do molho de soja não for suficiente. E o uso de ervas aromaticas picadas é opcional mas vai sempre bem. Aconselho o manjericão.
Deixar marinar um bocadinho antes de servir.

O/PARTICIPAÇÕES QUE VALE A PENA CONFERIR:

Natureza Lindaaaaa
Espiritual-Idade
Alma Mater
Tudo que me faz bem
Casa Claridade
Flora da Serra

04 agosto 2010

MOUSSE DE CASTANHAS E LARANJA

Fonte: Guia Prático de Cozinha Vegetariana - Sarah Brown - Civilização Editora
Tenho o livro há séculos mas só noutro dia é que descobri esta receita fabulosa. Está de certa forma adaptada por mim, uma vez que a receita original não leva cacau crú, nem pasta de tâmaras.
INGREDIENTES:
  • 100 gr de castanhas secas;
  • Sumo de 2 laranjas para demolhar castanhas + água;
  • 3 colheres (chá) de farinha de alfarroba;
  • 2 colheres (chá) de cacau crú em pó;
  • 1 colher (chá) de canela em pó;
  • 50 gr de pasta de tâmaras;
  • 3 colheres (sopa) de mel de alfarroba (pode ser outro);
  • 1 embalagem de queijo Quark;
  • Umas gotas de limão;
  • Côco ralado para decorar.
CONFECÇÃO:
Demolhar as castanhas secas (descascadas) em sumo de 2 laranjas mais água até tapar as castanhas, dum dia para o outro.
Levar as castanhas mais o liquido ao lume até ficarem macias. Cerca de 30 a 45 minutos.
Numa liquidificadora juntar as castanhas mais os restantes ingredientes à excepção do côco (na Bimby, 3 minutos, velocidade progressiva 5-7-9). É possivel que necessite de juntar mais água pois o líquido da cozedura das castanhas deve ter desaparecido. Se assim for, junte água durante a trituração até obter uma mousse suave mas consistente. Pode ainda adicionar açúcar se achar que fica pouco doce só com as tâmaras e o mel.
Leve ao frigorifico. Sirva fria povilhada de côco ralado :)

02 agosto 2010

DÁ DEUS NOZES A QUEM NÃO TEM DENTES

Sempre fui apaixonada por provérbios populares, frases célebres, parábolas, fábulas e histórias bíblicas. Para terminar a blogagem colectiva espiritual ecumênica, escolhi um provérbio português como título e um gelado que é tudo menos um pecado. Uma parábola reflexiva e um animal em vias de extinção. Como é que tudo isto se interliga? Vamos ver...

Os provérbios são sabedoria popular que foi transmitida de geração em geração, desde a antiguidade, repetidos constantemente perante situações idênticas, pois estão relacionados com aspectos universais da vida. O provérbio é fácil de decorar, simples de entender, curto e directo.

"Dá Deus nozes a quem não tem dentes" é o provérbio português irmão do provérbio brasileiro "Deus dá nozes, mas não as quebra". Ou ainda o primo espanhol "Dios le da sombrero, al que no tiene cabeza" :)

Julgo que o significado todos conhecem! Pelo que vou passar ao gelado saudável alusivo ao fruto do provérbio:

INGREDIENTES:
CONFECÇÃO:

Deitar os iogurtes na cuba da sorveteira. Misturar o açúcar e as nozes. Ligar a sorveteira. Ao servir as bolas de gelado pode juntar mais nozes picadas como topping. As pecãs são umas nozes mais suaves que as tradicionais.

DO GELADO À LAGARTIXA...
DA OSGA AO MISTICISMO...
DO MISTICISMO À ESPIRITUALIDADE...

Pode parecer complexo mas não é. No fundo tudo são pontes e as reflexões encadeiam-se naturalmente. Estáva eu a saborear o magnifico gelado saudável quando recebi a visita da amiga lagartixa que vive na minha horta de varanda :) E foi nesse momento que associei a lagartixa, também chamada de osga ao tema deste Domingo: MISTICISMO X ESPIRITUALIDADE.
As lagartixas são animais incompreendidos há séculos pela humanidade. Juntamente com os sapos, as cobras, os escorpiões e outros lagartos, foram frequentemente associadas a bruxaria e práticas místicas. Consideradas por muitos, animais das trevas talvez por seus olhos esbugalhados, sem pálpebras, sua forma de andar rastejante, suas ventosas que as ajudam a trepar paredes, foram e são, assassinadas, brutalmente, devido ao mito de serem perigosas! Quando são inofensivas!
Descobri recentemente que a lagartixa, ou osga urbana, está em vias de extinção. Os miúdos adoram presseguir este bichinho com pedras e paus, especialmente porque a osga tem um mecânismo de defesa muito interessante. Quando lhe é cortado o rabo, ele continua a mexer por forma a servir de distracção ao predador, podendo assim a presa fugir. Sim, porque a lagartixa não morre quando lhe é cortado o rabo. Inclusivamente nasce novo rabo como que por magia. Talvez dai venha a relação com o ocultismo.

Não me querendo alongar demais no blá blá blá, deixo-vos a parábola da lagartixa. Tirem as vossas próprias conclusões, filosofem sobre o quotidiano:

«Era uma lagartixa que morava dentro de um relógio de luz. Aprendeu com o tempo a entender os mistérios da luz e dos números. E assim vivia.

Num belo dia, resolveu abandonar os números e dedicar-se à luz. Mas passaram-se alguns anos e a lagartixa começou a perceber que sentia falta dos números, porém não sabia como voltar a ter comunhão com eles sem deixar a luz. Pois a luz tomou conta de sua vida, seus anos, seus dias, horas, minutos, segundos...

Em meio deste drama todo, outra coisa lhe aconteceu. Cresceu uma corcunda sobre suas frágeis costinhas. Além do fardo que carregava de ser guardiã da luz, da falta que seus números faziam, agora estava obrigada a suportar o peso de uma corcunda. No mundo em que a lagartixa foi criada, luzes e números não convivem muito bem. E mesmo sem entender a razão destas imposições, ela vivia obediente ao sistema, pois aprendeu também, lições importantes de mestres e discípulos, liderança e obediência...

E assim o tempo corria e crescia também uma coceirinha na cabeça e na corcunda da lagartixa. A coceira na cabeça se dava pelo facto de não entender as razões-sem-razão do sistema que ela fazia parte. E a coceira da corcunda, ela descobriu quando, ao se esfregar contra uma pedra, em meio ao sangue que escorria, havia algo que parecia querer sair de dentro dela.

Efectivamente havia sim: toda lagartixa que ama luz e números recebe um par de asas. As asas servem para deixá-la mais forte e apta a lidar com a luz e os números sem criar conflito com o sistema. Então, daquela ferida e daquele sofrimento, nasceu um par de asas. Tomada pelo êxtase de ter recebido asas, tentou pular do galho de uma alta árvore. Pulou. Ao cair, se viu presa noutro galho. E ao tentar escapar, teve sua cauda violentamente arrancada. Triste, sozinha, machucada e caída no chão, enquanto enxugava as lágrimas sentiu como se fossem cócegas e quase sem nada sentir, viu nova cauda nascer no lugar da que havia sido cortada.

Com a história do salto imperfeito, a lagartixa aprendeu que: quanto maior a queda, mais rápido nasce nova cauda. A partir desse dia ela passou a treinar saltos para alçar vôos. Por fim, não sem muito tentar, conseguiu ficar poucos segundos no ar. Aquilo foi uma glória para a lagartixa.

Antes mesmo de chegar ao chão, ela havia decidido: Custe o que custar e doa em quem doer, sem deixar minha preciosa luz, voltarei a ter com meus queridos números. O que ela não sabia é que sua decisão de amor geraria o ódio dos que se diziam amigos. Aprendeu outra lição: Os verdadeiros amigos deveriam amar a luz e aos números tanto quanto ela. Foi dessa maneira que em sua caminhada já fora de sua comunidade, encontrou outros bons amigos amantes da luz e dos números, assim como ela.

Facto interessante aconteceu quando depois de muito conviver com os novos amigos, veio descobrir que entre eles não havia outra lagartixa como ela. Mas como só havia convivido com lagartixas sua vida inteira, achava que só viveria em harmonia com “os seus”. Mais uma lição para o “baú da lembrança”: uma face amiga nem sempre é reconhecida através de um espelho. Na diferença se pode encontrar amizade. Sem muito procurar entender, viu que seu grupo de amigos era formado por besouros, gafanhotos, grilos, minhocas...

Só não participavam os mosquitos e as baratas. Esses servem como alimento. Assim a lagartixa descobriu que a luz é mais útil onde há escuridão para ser iluminada. A chama de uma vela é dispensável num lugar onde cada um possui uma vela na mão. Mas uma vela acesa dentro de uma caverna escura, traz luz ao ambiente e calor aos corações presentes.

E os números não servem para nada em comunidades que vivem sem contar os dias, os benefícios e os males. Por isso a lagartixa sentia tanta falta dos seus números, pois no fundo, sabia que não pertencia a aquele lugar. É importante contabilizar derrotas, vitórias e dias vividos, porque no balanço geral da vida, podemos saber se temos tido lucro ou prejuízo. Alguém que não contabiliza os elementos da vida é porque já não se importa com a vida. Finalmente a lagartixa se viu feliz e livre. Liberdade de amar os diferentes, de levar luz aos que estão no escuro e de ajudar a lidar com números os que mal sabem contar...Liberdade gera responsabilidade. Ser livre é ter que pensar por si só e assim, ser responsável por enfrentar as conseqüências de suas decisões. Qualquer pessoa que aprenda a voar, iluminar e contar como uma lagartixa, será uma pessoa responsável, livre e feliz!»

NOTAS NÃO MENOS IMPORTANTES:

As lagartixas são insectivoras, alimentam-se de insectos, larvas, aranhas e são um insecticida natural importantissimo para promover o equilibrio no caso de pragas nas hortas e jardins.

A tradição popular diz ainda que não é prudente espantar lagartixas, porque da mesma forma que elas grudam na parede, elas significam sorte que adere à nossa casa. Assim como um grilo que canta à nossa porta, deve ser deixado em paz porque essa música anúncia o dinheiro a entrar em nossa vida :)

Por fim, partilho convosco uma origem engraçada. O sitio onde vivo chama-se Parede, uma freguesia do Concelho de Cascais, distrito de Lisboa. E não é que aos habitantes da Parede chamam não só paredenses como também "osgas"!!!! Pois é!! Afinal eu sou uma "osga" :) Uma lagartixa que trabalha com números e que quer voar nas asas da espiritualidade! Tem tudo a ver com este post não tem?

Encerramos então o passatempo com chave de ouro. Despeço-me de todos os participantes, muito grata pelas partilhas reciprocas.

01 agosto 2010

SOJA COM PALMITO E COENTROS

Um caril de soja que lembra um caril de gambas no paladar e tudo graças ao palmito e aos coentros!
Um arroz despenteado, meio cozido, meio crú, fácil de confeccionar e saudável.
Uma salada simples de alface, sem azeite, sem vinagre, sem sal mas de alface biológica que tem outro sabor.
Foi assim o novo fabuloso almoço de domingo :) Experimentem!
INGREDIENTES do caril de soja:
  • 1 copo de granulado de soja médio;
  • 1 cubo de caldo concentrado de vegetais biologicos;
  • 500 ml de água a ferver;
  • 1 cebola média;
  • Azeite q.b.;
  • Sumo de gengibre ralado;
  • Caril em pó;
  • Açafrão em pó;
  • Cominhos em pó;
  • Pimenta preta em pó;
  • 1 pacote de natas de aveia;
  • 1 pacote de natas de soja;
  • Coentros frescos picados;
  • Palmito em conserva.
INGREDIENTES dos acompanhamentos:
  • Arroz branco cozido na altura;
  • Beterraba ralada;
  • Alface ripada.
CONFECÇÃO:
Ferver água, deitar 1 cubo de caldo concentrado de vegetais e hidratar a soja durante 30 minutos nesse caldo quente.
Ao fim dos 30 minutos, espremer a soja e temperá-la com o suco de gengibre, caril, açafrão, cominhos e pimenta.
Num tacho fazer um refogado de cebola e azeite, juntar a soja temperada. Deixar cozinhar.
Enquanto isto ponha o arroz a cozer na bimby, 800 gr de água purificada, velocidade 4, temperatura 100º, 20 minutos.

De seguida, adicione as natas (de aveia e de soja) ao refogado. Deixe ferver e cozinhar. No fim junte coentros frescos picados, dê mais umas mexidelas e apague.
Rale 1 beterraba e assim que o arroz esteja cozido, misture-lhe a beterraba ralada.
Sirva os pratos conforme as fotos. Arroz de beterraba servido com colher de gelados e a soja com topping de palmito. Antes de comer misture o palmito no molho da soja.