31 outubro 2010

TARTE DE HALLOWEEN e Coca iluminada

Não deixam de ser interessantes as tradições populares e por vezes proporcionam momentos divertidissimos em familia.

Hoje, foi esse o caso. Comprei uma abóbora no LIDL com preço/kilo em promoção, resultando num Domingo de festa. De manhã estivemos a retirar a polpa à abóbora, a esculpir os olhos, o nariz e a boca da
Coca. Logo de seguida aproveitamos os residuos para fazer uma sobremesa com decoração criada a preceito. Depois de almoço, rumámos a casa dos avós, a filhota vestida de bruxinha, montada na sua vassoura, para lancharmos a saborosissima Tarte de Halloween.

Agora um pouco de história... Provavelmente estranharam, pararam no link Coca e já sabem o significado, mas para os mais distraídos ou mais apressados, partilho convosco a minha descoberta recente:

Pensava eu que o Halloween era "produto importado". Uma festa estrangeira que os portugueses haviam adoptado da tradição inglesa e americana. Mais que não fosse pelo estrangeirismo Halloween, não é verdade!? Inclusivamente às abóboras iluminadas chamam-se
Jack-o´-lantern.

Não podia estar mais enganada. Já que o folclore português tem também ele a tradição antiquissima de iluminar abóboras representativas de seres miticos, fantasmas ou bruxas, a que deram o nome de Coca iluminada.

Descobri ainda que a Coca portuguesa deu origem à
Cuca brasileira que se tornou famosa através do Sitio do pica-pau amarelo. A primeira versão da Cuca em 1951 era a de uma bruxa velha, feia e pobre mas aos poucos a sua fisionomia foi-se assemelhando a um jacaré fêmea de cabelos longos e estragados, um réptil de mãos contorcidas, corcunda, unhas grandes, boca rasgada e dentes imundos.

E como toda a cozinheira, é feiticeira... ABRACADABRA-ZÁS-TRÁS-PÁS, vamos ver do que sou capaz!!!!
INGREDIENTES:
  • 1 massa quebrada redonda;
  • 5 xicaras de puré de abóbora;
  • 1 + 1/2 xicara de açúcar mascavado claro;
  • 1 cálice de água;
  • 1 colher (sopa) canela moida;
  • 1 + 1/2 xicara de coco ralado;
  • 4 colheres (sobremesa) farinha maizena (amido de milho);
  • Pitada de sal fino;
  • Raspa de 1 laranja biologica.
CONFECCÃO:
Cozer a abóbora cortada aos pedaços, SEM água, numa panela anti-aderente. Triturar com liquidificadora de mão.
Noutra panela colocar o açúcar, a água e a canela. Levar ao lume para fazer um ponto de açúcar. Terminado, apague o lume, junte o coco, o puré de abóbora, a maizena diluida numa colher de água, a raspa de laranja e a pitada de sal. Mistura bem.
Aqueça o forno enquanto desenrola a massa quebrada, deite o recheio e leve ao forno a 160º durante 40 minutos.
Antes de servir povilhe de coco ralado. Usei um coco desidratado biologico sem açúcar à venda na loja de produtos naturais do C.Comercial CascaisVilla.
NOTA:
Estas quantidades são para uma tarteira grande. Se a sua tarteira for pequena, diminua quantidades.
DECORAÇÃO:
As patas da aranha foram feitas com palhinhas de sumo pretas compradas no IKEA e os olhos de smarties vermelhos pintados com caneta de tinta comestível. O corpo da aranha e a bruxinha são peças soltas dos brinquedos da Carol (bem lavados e desinfectados).

25 outubro 2010

SUSTENTO HABILIDADE NA TEIA AMBIENTAL

Dizem as más línguas que este mês eu não quis saber da teia ambiental. Enganam-se! Na verdade quis surpreender-vos quando menos estavam à espera, ih ih ih. Bom, não é verdade completa mas é quase.
Supostamente devia ter acompanhado a Teia Ambiental no dia 7, dia do ambiente, mas como foi-me impossível cumprir todas as obrigações dessa semana, resolvi publicar mais tarde. No entanto queria publicar em dia semelhante, ou seja, podia ter publicado a 16 (1+6=7), mas como 16 é número kármico, resolvi publicar hoje, dia 25 (2+5=7).
Superstições à parte, vamos lá então ao tema de hoje, SUSTENTABILIDADE que converti noutro formato, SUSTENTO HABILIDADE. Num contexto ambiental, o principio da sustentibilidade assenta no uso dos recursos naturais para satisfazer as necessidades presentes, de forma a não comprometer as necessidades futuras.
Ora, não é isso que constatamos diariamente, pois não? Alguém pensa que está a comprometer algumas espécies quando come atum ou bacalhau? Alguém pensa que está a gastar demasiado combustível em deslocações curtas quando está provado que o petróleo é finito? Alguém pensa que já não há aterros/lixeiras suficientes para todo o lixo que fazemos quando não colaboram na reciclagem?
Isto é compromoter as necessidades futuras! Isto é penhorar o futuro dos nossos filhos. Já dizia Roberto Carlos na canção
AS BALEIAS:
Não é possivel que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
(...)
Os seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram nos livros
Ou nos filmes dos arquivos
(...)
Não é possivel que você suporte a barra

Da mesma forma que as baleias estiveram em perigo de extinção, muitos outros seres encaminham-se para esse fim. Foi necessário em 1986 considerar a Caça e Comercialização da Baleia ilegal para dar um tempo à natureza de repor o estoque de baleias nos oceanos. Caso contrário os nossos filhos e netos só irião ouvir falar das baleias conforme hoje se ouve falar dos dinossauros.
Precisamos ser obrigados por lei a deixar de consumir? a deixar de poluir? a ter consciência?...
Mas sustentabilidade não se aplica só à ecologia. Ela tem de estar integrada num sistema, e o sistema tem de ser sustentável em todos os seus sectores:
Outras participações que vale a pena conferir:
»»Sustentabilidade Ecológica;
»»Sustentabilidade Politica;
»»Sustentabilidade Económica;
»»Sustentabilidade Social;
»»Sustentabilidade Pessoal.

É nesta sustentabilidade de base que tudo começa. Temos de desenvolver a habilidade de nos sustentarmos a nós próprios, sem compromoter as gerações futuras, sem hipotecar o futuro.
Sustentabilidade pessoal pássa por ter uma alimentação consciente, por gerir eficazmente a ecónomia doméstica, por ser politicamente correcto nas relações com os outros, respeitando os demais e o planeta, e por assumir a responsabilidade sobre os residuos e desperdicios que produzimos no simples acto de viver.
Por outras palavras, uma alimentação consciente é aquela que não promove a extinção das espécies, aquela que não sobrecarrega o planeta com produção intensiva, quimicos, monoculturas, destruição de floresta, etc...
Gestão eficaz da economia doméstica é evitar o desperdicio, evitar o consumismo, evitar contrair créditos financeiros que nos tornam reféns do trabalhar para pagar tudo o que a nossa insatisfação obriga. Livrem-se de futilidades e não entrem em competição com ninguém. Não interessa quem tem o melhor carro, ou a melhor roupa!
Ser politicamente correcto nas relações, é não tentar levar vantagem sobre os outros, não visar única, exclusivamente e sempre, apenas o lucro, promover o respeito e a igualdade social.
Ser responsável pelos residuos e desperdicios, é preocuparmo-nos com aquilo que deitamos fora. Seja comida estragada, seja lixo, artigos em fim de vida... Para onde vai? Como é tratado? É reciclado? Como posso ajudar a diminuir as tolenadas de lixo que produzo?
E aqui entra em cena a minha receita de hoje: RECICLAGEM DE COMIDA. Um arroz com 1 semana, vira um risotto gourmet na frigideira, just like this, Plim!

INGREDIENTES (para 1 pessoa):
 
  • 1 cháv de arroz cozido solto;
  • 1 colher (café) bem cheia de açafrão;
  • 1 cubo de caldo de vegetais;
  • 300 ml água quente;
  • 1/4 cebola roxa picada;
  • Azeite q.b.;
  • 1/2 latinha pequena de cogumelo laminado;
  • 1/4 de tomate picado sem grainhas;
  • 1/4 de courgette (abóbrinha) aos cubinhos;
  • 1/2 cenoura aos palitos finos;
  • 1 colher (sopa) milho cozido;
  • Aipo de folha picado (salsão);
  • Levedura de cerveja, uma alternativa ao queijo parmesão.
CONFECÇÃO:De preparo muito rápido. Óptimo para hora de almoço em dia de trabalho. Um arroz de frigideira muito saboroso.
Comece por preparar o caldo de legumes com a água quente e reserve.
Refogue a cebola no azeite, junte os cogumelos escorridos, o tomate e a courgette. Deixe cozinhar. Junte o caldo, o arroz e o açafrão. Deixe ferver mexendo sempre. Junte os palitos de cenoura e o milho. Quando o caldo sumir e o arroz inchar um bocadinho, retire do lume. Sirva com aipo de folha picadinho e povilhe de levedura de cerveja ou queijo parmesão.

22 outubro 2010

TULI DE ALFARROBA E AMÊNDOA

ARTIGO RELACIONADO:

Tulicreme Caseiro de 3 chocolates e Avelã

Nunca imaginei que esta pasta de "chocolate" (sem chocolate) ficasse tão boa, gulosa, daquele género de não se conseguir parar de comer! Acreditem em mim, é fantástica!

Confesso que o tulicreme alternativo apresentado pela
Borboleta Africana no Dia Castanho despertou a minha curiosidade na altura, mas ficou-se por aí. Caiu no esquecimento em 2009 :(

Felizmente,
a Conceição do blog Eu e os Tachos resgatou a receita e avivou-me a memória, trazendo às luzes da Ribalta, a maravilhosa, inigualável, superfantástica, pasta de chocolate alternativo! Palmas para o Tuli de Alfarroba. É digno de pompa e circunstância!!!
Mais uma vez chamo a vossa atenção para os pormenores: amêndoa integral (com pele) e açúcar integral. A minha receita tem, como era de esperar, o meu cunho pessoal: a pitada de canela e o agáve.
INGREDIENTES:
  • 150 gr Amêndoa com pele;
  • 2 colheres (sopa) Açúcar Mascavado Escuro;
  • 2 colheres (sopa) Farinha de Alfarroba;
  • 1 colher (chá) Canela em pó;
  • Pitada de sal fino;
  • 1/2 chávena de óleo de milho;
  • 1/2 chávena de Xarope de ágave (também pode usar mel).

CONFECÇÃO:

Num liquidificador triturar fino as amêndoas, obtendo uma farinha integral de amêndoa.
Juntar os restantes ingredientes pela ordem apresentada. Triturar tudo junto até obter uma pasta homogénia, como se fosse uma maionese consistente.
Se necessário juntar mais óleo. No meu caso não foi preciso porque o xarope de agáve não solidifica. É um adoçante alternativo, crudivoro e muito saudável. É um néctar extraido dum cacto mexicano, rico em frutose.

21 outubro 2010

MARMELADA MISTA DE MARMELO E MAÇÃ

O ininterrupto ciclo das estações do ano dá-nos a sensação que por muito que se queira fugir à rotina, é inevitável repisar os mesmos caminhos, os mesmos costumes, as mesmas receitas.

Se por um lado aborrece-nos esta sensação de dejá-vu, de repetição. Por outro, habita-nos a sensação de conforto, de regresso ao cólo de mãe, de recordar é viver :)

Neste momento renova-se o Outono, diz-se adeus ao Verão e na passagem do calor para o frio, chega-nos as frutas e vegetais da época, os marmelos, as abóboras, as castanhas... As marmeladas, as compotas, o Halloween, o São Martinho...

Cá em casa também não é excepção. Voltamos com satisfação à
Marmelada Bimbólica do ano passado. A única diferença é a minha insistente criatividade, instigadora na busca de novidade. Assim vos deixo, com a Marmelada Mista de Marmelo e Maçã (4 M´s). Reparem no pormenor de utilizar frutos integrais (ou seja, com casca) permitindo um menor desperdicio.
INGREDIENTES:
  • 900 gr de Marmelo Biológico (depois de retirar caroços fica em 780 gr +/-);
  • 2 Maçãs ou Pêros Biológicos (com casca e sem caroços);
  • 200 gr Açúcar Mascavado Claro.
CONFECÇÂO BIMBY:
Lavar muito bem os marmelos com um esfregão para retirar o pêlo do fruto. Lavar também as maçãs.
Retirar apenas os caroços e partir aos pedaços. Triturar grosso com casca na Bimby. 30 segundos, vel 9.
Programar 30 minutos, temperatura 100º, velocidade 3. Ajudar com a espátula da Bimby.
Ao fim deste tempo, retirar o copinho de cima, programar mais 25 minutos, temperatura Varoma, velocidade 3.
CONFECÇÃO TRADICIONAL:
Bom, a pedido da querida Flora vou tentar uma descrição da maneira tradicional.
Lavar muito bem os marmelos com um esfregão para retirar o pêlo do fruto. Lavar também as maçãs.
Retirar apenas os caroços de ambos os frutos e partir aos pedaços. Colocar tudo num liquidificador, juntamente com o açúcar. Triturar grosseiramente com casca. Obtendo um género de farofinha.
Transferir para uma panela e cozinhar em lume brando, tapado, mexendo de vez em quando, até sentir que os frutos estão devidamente cozidos.
Aí, destapar para evaporar o líquido e ainda em lume brando deixar ganhar consistência de compota, mexendo com frequência para não agarrar.
Deixar arrefecer e guardar no frigirifico.
Geralmente as marmeladas não necessitam de frigorifico porque têm muito açúcar, mas como esta é light pode estragar.
NOTA:
Não é uma marmelada muito doce. Mas eu gosto assim. Quem quiser mais doce aumenta açúcar. Porém é uma marmelada com intenso sabor.
É uma óptima ideia para reciclar maçãs esquecidas no frigorifico!

02 outubro 2010

CROMOTERAPIA CULINÁRIA - SOPA DA COROA

A cromoterapia é uma terapia alternativa que utiliza as cores para curar desequilibrios energéticos. Através das cores, equilibramos os chakras que são meridianos principais de energia em nós.
A cor emite uma vibração curativa e desse modo permitirá ao chakra abrir-se, deixar fluir a energia mantendo a corrente de ligação entre uns e outros. Chakras parados ou disfuncionais são a causa de muitas doenças. São bloqueios.
A cor entra nas nossas vidas através de vários meios: luzes, alimentos coloridos, roupas, paredes pintadas, mobiliário, etc... Aqui neste blog falamos de cromoterapia culinária e da importância da cor à nossa mesa.
Deixo-vos com um creme violeta ao qual chamei sopa da coroa por ser a côr do 7ºchakra (chakra coronário ou da coroa), o qual abre as portas da consciência ao infinito, aumenta a percepção além do tempo e do espaço. É a fusão expansiva com o espirito universal.
INGREDIENTES:
  • 1 cebola média;
  • 2 batatas médias;
  • 1/2 courgette média descascada;
  • 1/2 couve roxa;
  • Azeite;
  • Sal.
CONFECÇÃO:
Utilizei a bimby.
Descascar e cortar a cebola, batatas e courgette. Deitar no copo da bimby. Mais a couve roxa cortada aos pedacinhos. Regar com azeite. Programar 10 min, velocidade 1 a 2, temperatura 100º.
Ferver água à parte. Deitar sobre os legumes refogados quando terminarem os 10 minutos, até cobrir mais "1 dedo" de altura. Juntar sal a gosto. Programar 20 min, velocidade 4 a 5, temperatura 100º.
COMER! É deliciosa. Parece veludo. É um creme verdadeiramente espiritual :) Dá-te asas!!!!